Vida & Prazer
Marcia Atik

Psicóloga clínica e terapeuta sexual e de casal

Me mordo de ciúmes

12 de novembro de 2015 - 08:00

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Infelizmente o tolo e primitivo ciúme, mal elaborados que não significam cuidados e preocupação, mas sim ciúmes como resultado de sentimento de posse e controle é uma praga para qualquer relacionamento.

Para um bom ciumento, meia informação basta para que um monstro se erga dentro dele, destruindo muito mais o próprio ciumento do que a pessoa ciumada.

As mídias sócias que vieram para ampliar as nossas possibilidades acabaram sendo uma ferramenta utilizada para esse nefasto controle.

Qualquer relacionamento para crescer e evoluir tem fases boas ou ruins, mas que se trabalhadas e aproveitadas num aprendizado constante para o casal serão alguma coisa muito melhor do que brigas.

Um ponto que acho que seja fundamental num relacionamento é justamente que os pares respeitem a individualidade, os sonhos e as circunstâncias do outro.

Portanto, os conflitos são uma possibilidade e os desencontros são sempre possíveis de ocorrer, mas desde que sejam aproveitados para depurar e melhorar a relação são bem-vindos, levando em conta a necessidade de respeito entre ambos mesmo que haja divergência de conceitos e opiniões.

Manter a chama da curiosidade pelo mundo e pelas possibilidades pessoais do outro é uma forma de interesse que reflete positivamente na relação, pois estimula a admiração e a alegria pelas conquistas do par, reforçando a cada momento o interesse sobre si pelo outro, não idealizar o parceiro(a)achando que é uma pessoa especial e perfeita, e isso envolve alguns momentos de renúncia, humildade e tudo com carinho e desejo de construir.

Importante falar disso, pois temos uma grande dificuldade de enxergar e enfrentar os problemas quando se anunciam,empurra-se com a barriga até chegar num ponto em que ou se submete ou rompe drasticamente.

Portanto, não valorizar os desencontros, mas valorizando sinceramente o que cada um faz pela relação e deseja construir conjuntamente isso é olhando o outro com o desejo de aproximar, reconhecer os motivos que fizeram com que se aproximassem.

Considerado como prova de amor, valorizado enquanto sentimento, o ciúme é causa de muita dor e aborto de muitas relações.

O ciúme é sempre tirano e limitador.

O ciumento, geralmente, tem duas características básicas: incapacidade de ficar sozinho e baixa autoestima.

Quem não confia em seu potencial, teme ser trocado por outra pessoa o tempo todo. A insegurança faz ouvir o nome do outro em conversas, risadas e vê olhares de um cego para a pessoa com quem está ligado.

Para evitar esse sentimento, o ciumento se protege restringindo a liberdade do parceiro e tentando controlar suas atitudes.

Só quem acredita ser uma pessoa importante não se deixa levar pelo ciúme, pois sabe que não é descartável e não será dispensado ou trocado com facilidade.

E quem tem capacidade de viver bem, sem depender de uma relação amorosa para se sentir vivo é muito melhor.

Pode até sofrer no caso de uma separação, mas tem a certeza de que vai continuar vivendo sem desmoronar e com esperança de encontrar outro parceiro que o complete. Pense nisso.