Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

Medo de ter medo (I)

27 de agosto de 2015 - 08:00

Compartilhe

O ser humano convive com diversos medos durante sua vida. Desde o nascimento até a idade avançada os medos aparecem e assombram as pessoas. Alguns ficam por mais tempo e outros nunca morrem. Uns são expulsos de maneira exemplar pelo envolvido e outros conseguem se instalar de maneira definitiva.

O homem é o produto de suas escolhas e ele também demonstra quem é pela maneira como administra seus medos.

Alguém já disse: “nascemos para sermos príncipes e princesas, no entanto, nossos pais, muitas vezes sem querer, nos transformam em sapos”.

Alguns medos comuns nas crianças, como o medo do escuro ou o medo da água, são tratados de forma completamente errada pelos pais.

A criança tem medo de dormir com a luz apagada. Por que não respeitar sua vontade e deixá-la dormir com a luz fraca de um abajur? Ela nunca deve ser criticada e nem receber gozações pelo seu medo do escuro.

O medo da criança de entrar numa piscina deve ser quebrado aos poucos, colocando-a de início numa piscina rasa e dando tempo para ela enfrentar a piscina funda. Por que abusar da ignorância e jogá-la diretamente na piscina funda para que ela perca o medo de uma vez? Pode resolver, mas o risco é muito alto para ser assumido.

Muitas pessoas acreditam que os corajosos são heróis que nunca sentem medo. É a mais pura mentira! Coragem é fazer com medo. É a capacidade de ir em frente, vencer as adversidades, apesar do medo. Existem somente dois tipos de pessoas que podem afirmar nunca sentir medo. Os alienados que jamais conseguem distinguir a realidade a sua volta e os mentirosos.

As ações de coragem e de medo se alternam nas pessoas a depender das situações envolvidas. Aquele que tem medo de um simples ratinho pode enfrentar um enorme tubarão, se for necessário salvar um ente querido.

A mãe morre de pavor de uma pequena barata, mas é capaz de levantar uma pesada estante para tirar seu filho debaixo dela.

O medo nem sempre é negativo. Em pequenas doses ele pode se transformar num excelente motivador, como por exemplo, impulsionar o profissional a mudar sua estratégia, pelo receio da antiga estar errada.

O medo passa mensagens que salvam: corra do perigo! Fuja rápido! Aja agora para evitar conseqüências negativas no futuro! O medo dispara mecanismos de defesa do homem que muitas vezes o salvam da morte certa. Os indivíduos em muitas ocasiões confundem os conceitos de medo e fobia, acreditando que significam a mesma coisa. Isso não é verdade.

O medo é uma emoção natural do ser humano, que atua como seu aliado, protegendo-o de muitos perigos. Se não fosse ele, provavelmente a humanidade não existiria como ela é hoje, pois o homem primitivo não teria sobrevivido.