Vida & Prazer
Marcia Atik

Psicóloga clínica e terapeuta sexual e de casal

Menopausa

15 de agosto de 2013 - 21:24

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A minha primeira grande dificuldade em escrever esse texto foi sobre o nome que eu daria, pois a vontade e impulso de escrever sobre esse assunto vem de um comentário ouvido sem cerimônia, numa conversa entre três homens num cafezinho.
Eu não fazia parte do grupo, mas em espaços pequenos as conversas ultrapassam o limite das mesas.
Ouvi quando – num repente – um deles falou:“mulher na menopausa é um saco” ao que os outros dois rapidamente assentiram e começaram a tecer comentários, sobre as suas mulheres, portanto , o título que queria dar ao texto era, ”Mulher na menopausa é um saco!”. Será?
Apesar de toda a minha admiração ao potencial de criar, recriar, inventar e reinventar das mulheres, infelizmente sou obrigada a concordar com eles em parte, não que todas as mulheres se tornem “um saco” na menopausa, mas que uma grande parte de nós ainda traz atrelada a essa fase da vida muitos conflitos e permitem o desabrochar de muitas insatisfações eu não tenho dúvidas.
Historicamente o valor de uma mulher era dimensionado a partir de sua capacidade de procriar, sem essa possibilidade a mulher ficava a margem da sociedade, da família, seca, desvalorizada, velha, crença há muito tempo destruída em todos os níveis desde a sociedade até a ciência,  pelo menos conscientemente, mas,  infelizmente no inconsciente ainda fica uma marca que acaba se repetindo até hoje em mulheres, mesmo as mais esclarecidas potencializando os sintomas, algumas vezes desagradáveis concordo, mas naturalmente fisiológicos e que trazido para a vida de maneira negativa tornam-se um peso e  realmente fazem  com que essa mulher se torne uma chata, assim também ela se vê.
Mas falar sobre isso é “chover no molhado”, como diria minha avó, e quero nesse espaço falar de formas diferentes de encarar aquilo que é naturalmente feminino.
Diferentemente da época da primeira menstruação, na adolescência tem-se uma vida toda ainda para aprender e quando se dá a ultima menstruação, estima-se que a mulher já tenha uma bagagem de experiências que permitam que viva essa fase com todo o seu potencial criativo e produtivo, nesse contexto podemos encarar essa fase de mudanças, físicas, muitas vezes familiares e profissionais, como algo positivo e não apenas com a negritude do medo, do fim , do tédio e da desvalia.
É comum se apegar aos desconfortos físicos dessa época da vida sem se atentar para os aspectos psicológicos e das possíveis vantagens dessa fase da vida.
Todo fim de ciclo tem embutida a perda, mas também traz a possibilidade do preenchimento do vazio com o novo, o diferente.
Em uma pesquisa, a Sociedade Europeia de Menopausa e Andropausa listou alguns dos benefícios declarados por mulheres nessa fase da vida tais como: bem estar, possibilidade de crescimento pessoal, liberdade para se concentrar em sua própria vida sã. Além disso, num artigo publicado no site da American Phycological Association é citada a capacidade de ter mais clareza de pensamentos , auto controle e determinação pela queda de estrogênio.
Aceitar que a vida passa por fases e que todas essas mudanças também têm o seu lado positivo  nos faz perceber que na menopausa não é diferente.
Por exemplo, a atividade sexual. Saber que está livre de riscos de gravidez faz o  sexo se tornar ainda mais libertador e prazeroso; a mulher pode dedicar-se mais a si mesma, praticar atividades que sempre teve vontade, podendo realizar seus projetos pessoais engavetados pela falta de tempo e viver a vida de maneira mais intensa e apaixonada.
Mulheres que chegam à menopausa com boa auto estima passam por essa fase de forma muito mais tranquila, inclusive lidando melhor com os sintomas físicos causados pelo desequilíbrio hormonal.
Junto com a menopausa surge a possibilidade de refletir e melhorar a si mesma, autoconhecimento é a palavra-chave.