Mente ocupada | Boqnews

Ponto de vista

5 de fevereiro de 2025

Mente ocupada

Há uma frase que afirma que: “Mente vazia é o ‘playground’ do demônio”.

Considerando que o “coisa ruim” tem múltiplas faces e discípulos, quase sempre atraentes e sedutores, essa frase faz muito sentido, sobretudo quando o alvo são crianças e adolescentes.

Tive a sorte de preencher essas fases de minha vida com leituras, filmes e construção de meus próprios brinquedos, reciclando materiais, o que me ajudou a superar certas tentativas de doutrinação que, infelizmente, levaram alguns de meus colegas ao vício ou à imunização cognitiva, nova denominação da doutrinação religiosa e ideológica.

Também tive a atenção responsável de meus pais, que não colocaram cinco filhos no mundo para deixar que terceiros cuidassem de sua educação.

Educação eles davam em casa. Na escola, íamos para estudar e aprender, duas coisas não necessariamente idênticas, ainda mais quando uma interfere indevidamente na outra.

Convivi com a amizade de colegas com formação semelhante à minha, sem nenhum luxo, mas plena de sonhos; e também com a agressividade gratuita de indivíduos que iam à escola para fazer de tudo, menos estudar.

Geralmente, eles eram alunos medíocres, geograficamente localizados na “turma do fundão”.

Tempos depois, muitos deles se “emendaram”, mas vários descambaram de vez, alguns ingressando na política, não pelo bem do povo, mas para tirar proveito dele.

Tiveram a “orientação” de alguns “professores” nesse processo.

Não sei se a mente deles foi um “playground”, ou se já estava convenientemente adubada para o demo plantar sua semente.

Na época, as escolas já eram um microcosmo do que acontecia no país: uma disputa entre extremos ideológicos, nenhum deles efetivamente interessado em democracia, só em serem instrumentos do demo, fosse ele capitalista ou comunista.

Felizmente, a maioria dos professores de escolas públicas era bem qualificada para lecionar suas disciplinas, ainda mais no caso de instituições diferenciadas, daquelas que selecionavam docentes e discentes por mérito.

Além do ensinado em classe, o interesse por ampliar conhecimentos era estimulado, principalmente nas disciplinas com laboratórios e artes industriais.

Com isso, as idas às bibliotecas escolares e públicas eram prazerosas, uma viagem por mundos distantes sem sair do lugar, um transporte ao passado para conhecer personagens e histórias.

Nossa imaginação ia muito além do visual de uma tela de celular, computador ou videogame.

E mesmo ao nível sensorial, a TV, o cinema e o rádio nos proporcionavam música de qualidade em vários idiomas, da clássica ao rock progressivo.

Ouvíamos e víamos filmes e artistas de vários países.

Hoje, para ter acesso a esse tipo de conteúdo, é preciso assinar canais pagos.

E mesmo assim, o padrão de certas séries e filmes segue modelos tendenciosos.

O que se vê em canais abertos é majoritariamente de qualidade sofrível, e de intencionalidade preocupante.

Infelizmente, a forma como são produzidos e a massificação pela falta de opções, associada a formas de assédio moral cada vez mais alienantes e disseminados, fazem com que nossos jovens, com as “bençãos” da desatenção parental, sejam aliciados por mal-intencionados, que usam sua ascendência ou poder de sedução para semear hedonismo precoce, vícios e ódio em suas mentes.

Uma antiga piada contava que o pai chamou o filho, dizendo que precisavam conversar sobre sexo, ao que o adolescente respondeu: ”OK, pai! O que o senhor deseja saber?”.

Isso deixou de ser engraçado, e os resultados têm sido cada vez mais preocupantes no âmbito acadêmico e comportamental.

O que alguns defendem e propagam como sendo um processo evolutivo, criando até um mercado de trabalho próprio, em verdade tem provocado retrocessos significativos, com sequelas duradouras, que podem comprometer gerações.

Há pessoas bem intencionadas, em tese, mas também há quem só esteja interessado em se aproveitar de mentes vazias para transformá-las no tal “playground”, destruindo valores e relações familiares, tornando a juventude mera massa de manobra de interesses de poder e lucro.

Creio que não há pior crime contra a humanidade do que a doutrinação alienante da juventude!

Para tentar evitar isso, é importante que nossos jovens tenham a mente ocupada com coisas úteis e proveitosas, para evitar que quem mente a ocupe.

 

 

Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro, pesquisador universitário e membro da Academia Santista de Letras

Adilson Luiz Gonçalves
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