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Vinicius Carlos Vieira

Saiu da faculdade de jornalismo e descobriu que não sabia fazer mais nada a não ser escrever sobre cinema. Resolveu virar crítico. Hoje, é editor e crítico do site Cinema Aqui (@cinemaqui), além de ser produtor do Nerd Cine Fest. No twitter pode ser encontrada no @vinicvieira

Meu Amigo, o Dragão

Novo filme da Disney é funciona perfeitamente e tem tudo para ser um sucesso. Confira a crítica.

04 de outubro de 2016 - 23:18

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bannerA Disney sempre esteve à frente de seu tempo, tanto em termos de narrativa, quanto de técnica e animação, mas parece que deixou passar umas das maiores modas do cinema nos últimos anos: os remakes. Um deslize que já foi contornado e que deixa agora a impressão de que tudo que já foi lançado em forma de desenhos pela “Casa do Mickey” ganhará uma versão live action, e a bola da vez é o simpático Meu Amigo, o Dragão.

O curioso é que, assim como a obra de 1977, esse novo filme não chega aos cinemas com a pompa de uma mega produção e nem com as apostas do estúdio nas costas. O novo filme chega somente para ocupar o espaço que diversas produções da Disney sempre o fizeram, o de um filme para a garotada, bonitinho e com uma lição de vida que inspira o espectador, tudo embalado em uma história cheia de magia, fantasia e (nesse caso) um dragão que dá vontade de abraçar.

Para quem viu o original, saiba que a história é bem diferente, já que agora Pete (do título original “Pete´s Dragon”) é um garotinho que sobrevive a um acidente no meio da florestas que o deixa órfão. Sua situação só não fica pior, porque é “adotado” por Elliot, um dragão felpudo que o protege em um primeiro momento e depois se torna seu grande (e único) amigo.

Mas essa vida selvagem dos dois está prestes a acabar quando uma madeireira acaba invadindo a área perto de sua casa e Pete acaba sendo levado para a cidade, assim como Elliot é descoberto por uma grupo de madeireiros.

meu-amigo-o-dragao-destaqueMeu Amigo, O Dragão então é sobre como a civilização lida com a existência desses dois, já que ele é um garoto desaparecido e Elliot é uma lenda que sempre esteve presente nas histórias da cidade. Mas mais do que isso, o filme é um conto sobre crescer, sobre descobrir que há um mundo lá fora além da infância e que as vezes ele não é tão bom contigo, mas que com um pouco de esperança, amor e amizade, tudo fica bem no fim. Uma premissa que é a cara da Disney clássica preocupada com as famílias e com seus pequenos fãs.

Uma preocupação em ter um significado que ainda corrobora com o cuidado técnico e artístico do filme. Na ponta disso, o diretor David Lowery faz um trabalho acima da média, empolgante e sempre na medida do que o filme precisa, valorizando sempre muito bem os lindos cenários e o simpático e apaixonante Eliiot. Seu trabalho parece ter dado tão certo aqui, que seu nome já foi escolhido para comandar a próxima adaptação do estúdio, Peter Pan.

O outro grande cuidado da Disney, decididamente, é com seu elenco, já que a presença de Bryce Dallas Howard como a guarda florestal que acaba cuidando de Pete e Karl Urban como um dos “madeireiros maus”, funcionam perfeitamente bem, já que ambos sempre apresentam algo acima da média, mesmo com pouco em mãos. E isso só fica melhor ainda com a presença de Robert Redford, no papel de um velho sonhador que um dia encontrou com o dragão e até hoje vive contando essa história.

Meu Amigo, O Dragão é então um acerto que vai além da simpatia e estará fadado a ser um sucesso na Sessão da Tarde, no melhor dos sentidos que isso pode remeter.