Editorial
Humberto Challoub

Jornalista e Diretor de Redação do Jornal Boqnews. Diretor da Faculdade de Artes e Comunicação da Unisanta

Modelo esgotado

Dilma encontra-se à beira do abismo que construiu sob seus pés, tendo agora que enfrentar o processo de impeachment no Congresso Nacional

05 de dezembro de 2015 - 13:00

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A sucessão de denúncias revelando práticas de corrupção envolvendo colaboradores diretos da Presidência da República, deputados e senadores pertencentes à base governista, comprometeu de forma irreversível a credibilidade do atual Governo, tornando cada vez mais difícil e penosa a permanência da presidente Dilma Rousseff (PT) no cargo. Sem metas administrativas definidas e não dispondo da sustentação política capaz de assegurar a aprovação integral das medidas emergenciais de ajuste fiscal encaminhadas ao Congresso, com o propósito de amenizar parcialmente os efeitos desastrosos resultantes de sua incapacidade em gerir com competência as finanças públicas, Dilma encontra-se à beira do abismo que construiu sob seus pés, tendo agora que enfrentar o processo de impeachment no Congresso Nacional.

Se já era difícil equilibrar as contas em cenário econômico conturbado, o que dizer agora diante da crise política instalada com as sucessivas revelações de atos de corrupção envolvendo as principais lideranças dos partidos que compõem o Governo? Neste contexto, evidencia-se mais uma vez a necessidade de realização de uma ampla reforma política, onde devem estar incluídos temas de maior abrangência e relevância para a sociedade brasileira. O atual regime em vigor há muito carece de revisão profunda, especialmente no tocante aos princípios de lisura, proporcionalidade e representatividade, fatores preponderantes para orientar e legitimar processos eleitorais. O momento é propício para se questionar o modelo de formação e administração dos partidos, hoje transformados em legendas de conveniência que abrigam filiados que sequer conseguem traduzir o significado de suas legendas, quanto mais conhecer os conteúdos programáticos e ideológicos que, por obrigação e dever político, deveriam propagar e defender.

A prática democrática inegavelmente assegura a manutenção das liberdades individuais e de pensamento, propiciando as condições ideais para o desenvolvimento social e econômico do País, porém só poderá ser plena e efetiva quando não prescindir dos valores éticos e morais inerentes à prática das atividades políticas. Torna-se imprescindível avaliar o papel exercido pelas casas legislativas, sob a ótica dos custos que geram em comparação com os benefícios proporcionados à população. Somente com a introdução de mudanças no regime vigente, que assegurem o aprimoramento do sistema político, será possível recuperar a credibilidade e a importância perdidas pelo excesso de politicagens.

Se é utopia acreditar que os próprios legisladores tomem a iniciativa de realizar as mudanças necessárias, cabe à sociedade civil a imposição dessa vontade, por meio das entidades organizadas, sob pena de que a omissão avalize um futuro sem perspectiva de melhora.