Ponto de vista
Mudança Já
Muito gente se pergunta até agora e tenta entender por que as manifestações dos brasileiros que tomaram as ruas em junho do ano passado – contra o reajuste das passagens de ônibus, a violência policial nas contestações e os rumos da economia do País – dissiparam-se quando pareciam capazes de conquistar mais do que a redução das tarifas?
Afinal, como diziam, os manifestantes não estavam ali só por 20 centavos. Mas aonde os protestos deveriam chegar? Quais as marcas que ficaram daquele mês de junho? São respostas que deveriam surgir já nas eleições deste ano, com uma grande mudança dos nomes da política nacional e transformações no comportamento dos políticos.
Numa breve análise dessas eleições, podemos concluir que, apesar dos vários tumultos pelo Brasil, a presidente Dilma foi reeleita no segundo turno, a maioria dos governadores retomou os mandatos e fez seus sucessores e a renovação do Congresso Nacional ficou aquém das expectativas.
Contradição
Entretanto, a presidente Dilma foi reeleita com a menor diferença de votos dos últimos 20 anos, os governadores eleitos serão cada vez mais pressionados pelos manifestantes em busca de soluções para a violência urbana e o Congresso Nacional apresenta um novo perfil conservador, que defende a diminuição da maioridade penal e a pena de morte, além de combater as relações homoafetivas.
Aliás, a efervescência das ruas criou também grupos radicais com novas bandeiras, como protestos contra os legítimos resultados das eleições, a corrupção desenfreada nas empresas estatais e na política e, por incrível que pareça, pedem o indevido impedimento da Presidente da República. Essas novas manifestações mostram que a população ainda mantém a sua capacidade de indignação e a vontade de mudanças.
A tendência para 2015 é de aumento do descontentamento da sociedade com os políticos, por conta do ajuste nas finanças públicas do País pela nova equipe econômica, que provocará, inicialmente, alta da inflação e dos juros, diminuição da renda e do consumo e até mesmo a elevação do desemprego, para melhorar a situação econômica somente em 2016.
Foco
Preocupada com as principais necessidades da população, a Prefeitura de Santos avança com a melhoria na infraestrutura da educação e da saúde, por exemplo, com a construção de três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) na Cidade e discutiu na Câmara Municipal o subsídio para manter o preço das passagens de ônibus. O fogo das ruas exige, portanto, que os políticos coloquem as suas barbas de molho, mudem definitivamente o seu comportamento e atendam as reais reivindicações da população, com a garantia da moralidade na gestão e transparência nas informações públicas, para o controle da sociedade.