Meio Ambiente
Luiz Nascimento

Jornalista e professor universitário

Mudanças de clima exigem medidas pela consciência da preservação

Outra visão aponta para o mesmo cenário delicado. Membro da comissão de climatologia da Organização Meteorológica Mundial, Rodney Martínez afirma em seus estudos que a América do Sul será mais úmida nas regiões norte e sudeste, enquanto a América Central e o México serão mais secos. O sul do Brasil e o centro do Chile também ficarão mais secos.

01 de dezembro de 2014 - 11:54

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As mudanças climáticas se espalham pelo Planeta e também já chegam em nossa América. Por essa razão, é importante que os governos, em todos os níveis, se sensibilizem para tomar medidas que possam minimizar os sintomas sentidos amplamente, em especial pelos que dependem diretamente da Agricultura e Pecuária, já que a cada ano a seca fica mais intensa e nessas áreas está a origem da alimentação. Mas a questão precisa mesmo é atingir todas os segmentos da sociedade.

Uma boa oportunidade para que o assunto possa ser tratado é o evento de Lima, no Peru. que teve início em 1º de dezembro e vai até o próximo dia 12. É a 20ª conferência da ONU para discutir o clima, na América latina.

A escolha do local tem motivos justificados, pois trata-se de uma região vulnerável, informa a ONG alemã Germanwatch. A lista de países em situação crítica naquele trecho da América reúne Honduras, Haiti e Nicarágua, que já tiveram consequências desastrosas como efeito do aquecimento global, como informa o site Ambiente Brasil.

Outra visão aponta para o mesmo cenário delicado. Membro da comissão de climatologia da Organização Meteorológica Mundial, Rodney Martínez afirma em seus estudos que a América do Sul será mais úmida nas regiões norte e sudeste, enquanto a América Central e o México serão mais secos. O sul do Brasil e o centro do Chile também ficarão mais secos.

Já a situação na Nicarágua é tão grave que pequenos agricultores não sabem o que vão fazer se a seca continuar em níveis insuportáveis. Reclama Teodoro Acuña, vítima das péssimas condições do clima: “A seca é extrema e minha pequena plantação de milho foi destruída por falta de água, foi pior que qualquer outra”, relata o Ambiente Brasil.
Segundo relatório divulgado no último dia 20 de novembro, por pesquisadores da Agência de Administração Oceânica e Atmosférica (Noaa), do governo dos Estados Unidos, desde que as temperaturas começaram a ser medidas no globo, em 1880, os últimos dez meses deste ano tiveram as temperaturas mais altas do planeta.

Trazendo o tema para mais perto de nós, o que causa perplexidade é que, mesmo o Brasil, e em especial o Estado de São Paulo, e a própria Baixada Santista, já vivenciando consequências ambientais, pouco vem sendo feito por autoridades para que a comunidade tenha uma compreensão maior da realidade global e local do clima, e seus efeitos.

Uma ausência de atitude, ou de pouca atenção, em todos os níveis. Onde está a preocupação e, sobretudo, a ação prática para educar e criar condições nas quais as crianças, adultos e famílias comecem a perceber a necessidade de se envolverem na preservação do planeta? Afinal, a mudança comportamental começa, primeiramente, dentro de cada um de nós, para depois se estender externamente.

Santos, com sua importância e liderança na região, precisa manter sua tradição de pioneirismo e demonstrar movimentos do governo municipal na direção de uma campanha educativa, que tenha começo e continuidade, se perpetuando em etapas, com o propósito de que a cidade seja um exemplo na política ambiental de preservação, em vários aspectos.

Ou vamos esperar o problema ganhar proporções maiores para uma atitude, que pode ser tardia?