Panorama Regional
Fernando De Maria

Na conta dos idosos

Os idosos serão as próximas vítimas do Governo e do Congresso que irão priorizar a reforma da Previdência e as mudanças nos planos de saúde

30 de outubro de 2017 - 20:30

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Passada a vitória do presidente Michel Temer na segunda denúncia votada pela Câmara Federal, o governo tenta juntar as bases – que não se mostram tão coesas como imaginava, conforme ficou claro na totalização de votos abaixo da expectativa (foram 251 votos contra 263 na primeira votação em agosto).

Entre os itens que devem ser priorizados pelos parlamentares para as próximas semanas estão a reforma da Previdência e as mudanças na forma de pagamento dos planos de saúde.

Todas, é claro, voltadas para atingir a terceira idade que, após décadas de labuta, terão que conviver com surpresas desagradáveis justamente no momento que mais precisam.

A reforma da Previdência, ao que parece, será mais enxuta do que o Governo gostaria.

Vale lembrar que o governo deve garantir a votação ainda neste ano . T

eme-se que se for levado para 2018, haverá um esvaziamento em razão das eleições.

Afinal, qual deputado gostaria de ficar marcado justamente por ter votado de forma contrária aos anseios da maioria da população?

De qualquer forma, o governo tenta manter a proposta original, mas será voto vencido.

Deve permanecer a idade mínima de aposentadoria (65 anos para homens e 62 para mulheres), tempo mínimo de contribuição (permanecendo a proposta de 25 anos) e uma regra de transição para quem já contribui hoje com a Previdência (originalmente, a partir dos 50 anos).

As mudanças, porém, ainda não foram oficializadas.

O Governo gostaria de manter a ideia original, mas sabe que não terá chances de levar a proposta adiante, ainda mais com a fragilidade que enfrenta junto ao Congresso.

Mais polêmica

Outra proposta polêmica é do relator Rogério Marinho (PSDB) de parcelar o reajuste na mudança de faixa etária a partir dos 59 anos – hoje, o Estatuto do Idoso impede esta prática.

Assim, pela proposta, o aumento que pode chegar a 100%, poderá ser parcelado com reajustes de 20% de quatro em quatro anos, diluindo o montante ao longo de 20 anos.

Esquecem, porém, de destacar o quanto os contribuintes pagaram ao longo dos anos anteriores, com pouco ou quase nenhum uso.

No entanto, não fica claro como funcionará os reajustes dos planos a cada ano, independente da faixa etária.

Por exemplo, o último reajuste em vigor foi de 13,55%, a vigorar a partir da data de aniversário do plano.

A inflação prevista até dezembro deverá ser pouco superior a 3%.

Uma distância difícil de entender.

Não se pode esquecer o lobby das operadoras de planos de saúde, o terceiro setor que mais investiu nas campanhas dos candidatos na última eleição, atrás apenas da Odebrechet e J&F (JBS). Estas dispensam comentários.

Fica claro, portanto, que os idosos serão as próximas vítimas do Governo e do Congresso.

Oremos.