Uma das espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção é o lobo-guará.
Alimentados pela estória do “Chapeuzinho Vermelho”, os brasileiros têm resistência ao verbete “lobo”, sempre associado ao qualificativo “mau”.
O lobo-guará não é mau. E, para quem não sabe, se alimenta de um fruto produzido pela lobeira.
A saúde do lobo-guará depende do consumo dessa fruta para a defesa contra um verme que ataca seus rins e o mata.
A fruta-de-lobo ou guarambá, tem formato de arbusto e pertence à mesma família do tomate e do jiló.
Além de tudo, é ornamental. Foi o que levou a arquiteta Maria Cristina Garcez a criar uma RPPN – Reserva Particular do Patrimônio Natural em Bananal.
Ela se impressionou com a planta de belas flores arroxeadas e ficou sabendo de sua importância para a preservação do lobo-guará.
Não esmoreceu, diante da oportunidade de devolver à natureza um pouco do muito que dela se extraiu.
A área encontrada estava totalmente degradada, depois de ter servido para o plantio de café e de se transformar em pasto.
Última etapa antes de se converter em deserto.
Selecionou cerca de setenta mil mudas de cento e três espécies nativas da Mata Atlântica, algumas delas também ameaçadas, como cedro-rosa e jequitibá.
Conseguiu que alunos das escolas da região fizessem trabalhos e desenhos sobre o lobo e também plantassem árvores.
Deixaram plaquetas com seus nomes junto à arvore que plantaram.
Gesto generoso que evidencia sensibilidade em relação ao maior perigo já enfrentado pela Humanidade, que é o seu desaparecimento, se não tiver juízo e não adaptar as cidades para os fenômenos extremos que advêm das mudanças climáticas.
Tudo causado por nós mesmos, que prosseguimos no desmatamento e na crescente emissão de gases venenosos geradores do efeito estufa, que desequilibra a atmosfera e o clima.
Em vez de lamentar o atual estado do mundo, faça alguma coisa para preservar a vida e garantir a continuidade da aventura humana sobre a Terra.
É um belo exemplo que pode ser replicado em várias cidades. Não há município do Brasil que não precise de mais árvores.
Faça parte da solução, não do problema, a cada dia mais grave e ameaçador.
José Renato Nalini é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e secretário-executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.
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