Estação X
Diego Corumba

Jornalista especializado em games

Notas e Games

O maior destaque de cada game é a nota que atinge nos sites especializados, porém isto é importante até que ponto? Confira na coluna dessa semana o quanto nos deixamos afetar pela posição de um game em relação aos demais.

31 de outubro de 2017 - 09:41

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Notas, sistema que cataloga certa categoria com algoritmos para nível comparativo entre os avaliados. Vivemos com isso na escola/faculdade, produtos, serviços, dentro do próprio emprego (quem nunca ouviu a expressão “funcionário nota 10”?) entre outros. Vivemos numa sociedade que valoriza essa competição, gostando ou não. Comparações fazem alguns crescer, outros encostarem e uma parcela desistir. Independente do meu posicionamento nesse parâmetro, este é um dos fatores mais importantes do nosso convívio. É ele que aponta “onde” estamos em relação ao mundo que gira em nossa volta. E isso atinge em cheio o mercado de games, que cada dia mais “depende” disso para prosseguir.

Começando do topo, este ano tivemos dois jogos que se destacaram de forma abismal em relação aos outros: The Legend of Zelda – Breath of the Wild e Super Mario Odyssey. Ambos ocupam uma posição que apenas um seleto grupo em toda história dos games estão, curiosamente fabricados pela mesma empresa (Nintendo) e têm sua assinatura já garantida no hall dos melhores. Ambos só perdem para dois jogos no posto do “MELHOR”. Em termos comparativos, no site Metacritic (que seleciona várias críticas e compila uma nota geral de opiniões) os dois possuem nota 97 de 100. O suficiente para alavancar milhões de vendas, tanto dos jogos quanto do console que são compatíveis. Passagem garantida para o lucro financeiro.

Não quero que me entendam errado, eles MERECEM o lugar que ocupam. Ambos inovam questões que há décadas estão paradas no mercado, recriando conceitos e personagens clássicos, divertindo e trazendo momentos memoráveis para esta geração. São marcos que deixarão um legado, isso é inegável. Joguei ambos e, com o risco da parcialidade, me apaixonei até pelo Super Mario Odyssey. Nunca na minha vida inteira gostei de NADA relacionado ao personagem, o único dele que figura nos meus favoritos é a linha Mario Kart e nunca escolhi o bigodudo. E essa “desgraça” do jogo novo para Nintendo Switch caiu no brilho dos meus olhos.

Link e Mario correm para ver quem ficará em primeiro colocado entre as críticas de 2017.

Porém, vamos à sinceridade: tenho amigos e conheço pessoas que apenas compram um game depois de checar sua nota no Metacritic. Confesso que até mesmo eu já o fiz. Poderia listar milhões de razões (leia como “desculpas”), mas isso não diminui em nada o que realmente é. Notas importam e somos guiados por elas. Seja aquela crítica de cinema que detona o filme por completo ou até mesmo sua bilheteria que não arrecadou o esperado, aquele carro que você ia comprar e viu que existiam outros “melhores” (sendo que podem ter sido avaliados de pontos diferentes de análise) ou até pior, aquele 1 ponto abismal que ficou entre você e o “primeiro lugar do vestibular”. Isso decide vidas, nós aceitando esse fato ou não.

O que não vemos (ou o que não queremos ver, outro fato) é o quanto perdemos nos guiando por isso. Amo usar o exemplo do meu irmão, pois vejo muita coisa sob outra perspectiva. Ele é apaixonado, vidrado e totalmente ligado ao Injustice 2, jogo de luta entre super-heróis. O jogo só sai do console quando eu quero jogar algo pra variar um pouco. Injustice 2 possui pomposos 87 pontos de 100 neste Metacritic. “Muito bom”, alguns diriam. Horizon: Zero Dawn é outro game que ele se encantou este ano. 89 pontos de 100. “Excelente”. Lembrando que vivemos na mesma residência e temos os mesmos videogames…ele tem acesso fácil aos jogos com nota 90 para cima. Eu lhe pergunto: Você acha que ele se importa? Desculpem o termo, mas “caga e anda”. Aquilo diverte ele, independente de qualquer opinião e ele segue o instinto. Porque fazemos o oposto?

Horizon: Zero Dawn é produzido exclusivamente para PlayStation 4, contando com mecânicas semelhantes a The Legend of Zelda: Breath of the Wild. 

Vi isso no último game que gostei (antes de Super Mario Odyssey), o Batman: The Telltale Series. Já começo falando que tem alguns que nem o consideram um JOGO como os demais. Pulando este fator, ele possui nota 68 de 100. “Legal”. Tenho uma pilha de jogos a fechar, como o próprio Horizon: Zero Dawn, The Last of Us, Forza Horizon 2 e Forza Horizon 3, Final Fantasy XII: The Zodiac Age, Dragon Ball Xenoverse 2 entre outros. Todos esses passam da nota 70, fácil. Tenho todos em mãos. Me desculpem o termo novamente, mas esta porcaria que me diverte. Isso não devia ser tão difícil de compreender. Nem ser passível de julgamentos (embora sei que deve estar julgando agora, acaba acontecendo).

Quanto mais nos deixamos prender nessas comparações, menos aproveitamos a vida. Não somente nós, mas tudo existe por uma razão. Um objetivo. Como diz o ditado, nenhuma flecha é lançada sem o desejo de acertar algo. Assim como nós não devíamos ser classificados ou nos sentir assim, também não devíamos fazer isso com as demais coisas. Algumas coisas foram criadas e produzidas para um público em mente, que saindo disso não será visto de forma agradável pelos demais. Um exemplo, falar que Clube da Luta, Mr.Nobody ou Onde Está Segunda? são filmes pro “povão” assistir é uma ilusão. Não é filme-pipoca. Assim como os jogos. Alguns não são feitos para a mão de todos. Me perdoem o nível da comparação que vou descer, mas nem nós, humanos, somos criados para a “mão de todos”…então qual é a graça de esperar isso do restante?

Batman, apesar da nota abaixo dos “grandes sucessos”, ganhou uma sequência chamada “The Enemy Within” que está em andamento.

Claro, existir material superior ou com qualidade absurda são inegáveis fatores que temos de conviver. Mas isso não significa que algo que está “abaixo” não se encaixe melhor ao que precisamos. Existem mensagens, momentos, pontos que só nos atingem quando vem de lá. Se você não olhar, nunca vai aprender. Assim como o convívio entre as pessoas. O desejo de atingir o topo é essencial para nossa sobrevivência, mas às vezes você, lá debaixo, tem mais conteúdo do que alguém que se gaba pela altura que o observa. Qual a diferença disso para os jogos? Se estou me divertindo com Super Mario Odyssey, nota 97, quer dizer que estou melhor do que você, que está rindo horrores com seu South Park: A Fenda que Abunda Força (com certeza deve estar rindo mais do que eu mesmo, diga-se de passagem)? Tudo no universo é uma questão de ângulo. É onde paro e questiono, estamos olhando para o lugar certo?

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