Estação X
Diego Corumba

Jornalista especializado em games

O Campo de Batalha

Um dos jogos de maior sucesso da atualidade, que passou até mesmo o imbatível (nem tanto) GTA, chegará ao Xbox One em breve e o que torna PlayerUnknown's Battlegrounds um sucesso?

04 de outubro de 2017 - 12:31

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Você já ouviu falar sobre PUBG? Se acompanha as notícias de games ao redor do mundo, pode conhece-lo melhor como PlayerUnknown’s Battlegrounds, um dos games mais jogados de todos atualmente.  Lançado, por enquanto, apenas para PC e com uma fórmula simples, este é o queridinho dos olhos dos gamers que buscam interação online, diversão e muitas horas na tentativa de ser o melhor de todos.

Primeiro, para os que não conhecem, PUBG é um jogo online que se passa num mapa gigantesco, com 100 jogadores ao mesmo tempo. Com poucos recursos, armas e com o limite de área sendo reduzido com o tempo, sua motivação é simples: matar ou morrer. Apenas aquele que sobreviver ao confronto é consagrado campeão. Alguém viu ou leu Jogos Vorazes ou Battle Royale? Se sim, é essa a ideia.

Desenvolvido pela Blue Hole, PUBG é um dos jogos mais jogados de todo o mundo hoje. 

Temos de ser sinceros, o jogo não tem o melhor gráfico já visto no mundo dos games. Muito menos é passível de erros ou bugs por todo o jogo, às vezes travando seu jogo ou até mesmo o mapa, gerando dor de cabeça. Porém, a genialidade e simplicidade que ele oferece supera qualquer problema que possa vir a surgir com eles. Você cai na arena, pega algo para usar como arma, tenta matar quantos conseguir e sobreviver por mais tempo perante as adversidades.

Outro ponto a ser lembrado é a quantidade absurda de jogadores simultâneos durante as partidas. 100 pessoas é um número enorme, mesmo comparando a Call of Duty e Battlefield (que chegou, ao máximo, a 64 jogadores), te fazendo refletir que, se chegar à vitória, você foi o melhor entre uma centena de gamers. Para alguns, isso já basta para fazê-los tentar a sorte e entrar no campo de batalha.

Enfrente e sobreviva ao confronto contra 100 pessoas ao mesmo tempo, com o que encontrar pelo caminho à vitória. 

Assim como games no estilo Rocket League, League of Legends, Counter Strike, Overwatch etc. este chegou para trazer um fator há muito tempo perdido na quantidade imensa de games que chegam ao mercado: diversão. Alguns focam demais no gráfico, outros no enredo, alguns equilibram os dois, outros conseguem tornar os dois belas obras-primas, porém a diversão e o entretenimento são elementos esquecidos que deviam ser mais fomentados pela indústria. É isso que diferencia bons jogos daqueles que são jogados e lembrados por gerações. Sendo sincero, com certeza vou lembrar das horas que ri e zoei jogando Rocket League, porém não posso dizer o mesmo de quando joguei Assassin’s Creed Unity ou Quantum Break.

Já comentei em algumas edições anteriores e volto a repetir, faltam empresas que olhem para o seu público. Sabem a razão do Nintendo Switch estar batendo recordes e ter chegado a superar as vendas de PlayStation 4 desde seu lançamento? Isso ocorreu pois, pelo menos uma vez, eles sentaram e resolveram atender aos jogadores. Não que as demais não escutem, porém a Nintendo está fazendo isso de forma clara e objetiva. “Querem Mario? Teremos Mario no ano de lançamento do console” / “Querem um novo The Legend of Zelda? Terá um na vitrine assim que o videogame chegar nas lojas” entre outras reações.

 Você, definitivamente, cai de pára-quedas no meio do campo de batalha. Escolha o melhor lugar para não iniciar o confronto na desvantagem.

O que PlayerUnknown’s Battlegrounds proporciona é exatamente o que os jogadores andam buscando: menos enrolação e mais jogo. Partidas velozes, misturando diversão e estratégia, com temática simples e, assim que você é morto, o próprio jogo já te insere em outra partida que está começando. Você pode jogar uma ou duas antes de dormir sem peso na consciência. Se você começa a jogar hoje, não há problemas, você terá as mesmas condições que a pessoa que joga há semanas (não digo o mesmo preparo, mas as chances são iguais a todos).

Agora que atingiram o sucesso, outros games querem reproduzir a fórmula (Fortnite) e trazer este módulo semelhante aos jogadores. Existe uma longa discussão sobre a ética desse fator, mas independente disso, acredito que se algo é bom, cópias vão surgir e vão sumir ao longo do tempo. E o que é o melhor permanecerá. Rocket League ganhou cópias, Minecraft, Mario Kart e até hoje isso não significou o fim de nenhum deles. Muito pelo contrário, reforçou as qualidades e características de cada um.

Além de tudo, PUBG também traz um sistema de personalização formulado para que o personagem siga os padrões que desejar.

Até o final do ano, PUBG chegará também ao Xbox One de forma exclusiva e ainda não há previsão ou anúncios referente ao PlayStation 4. Acredito que será outro sucesso nos consoles, para quem não tem o hábito de jogar no computador (muitas pessoas, me incluindo no meio), fazendo o gênero ainda maior entre os gamers e nas páginas de stream (transmissões ao vivo) do universo gamer.

Em resumo, o preço dele é pequeno (R$55,99 na Steam, ainda sem valor no Xbox One) e mostra que não é necessário um grande orçamento ou jogos caríssimos para se fazer sucesso ou até mesmo coloca-lo de graça para viralizar (como Fortnite). Quando o jogo é bom, a ideia funciona e ele tem o toque de originalidade e simplicidade, ele vai se tornar um sucesso. Independente de preço/produção. Independente até do nome da empresa (você já jogou algum game anterior da Blue Hole? Eu também não). Aquilo que torna os games bons ou ruins é definido logo na mesa de discussão da pré-produção com a pergunta: “Ele será divertido?”.