Estação X
Diego Corumba

Jornalista especializado em games

O Efeito CRASH

Crash Bandicoot retornou ao mundo dos games, mas não está sozinho. Muitos retornos estão programados para 2017 e até o final do ano, teremos nossos principais personagens da infância na nova geração. Compreenda o que isso significa para quem joga na coluna desta semana

12 de julho de 2017 - 16:13

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odo gamer de carteirinha pode afirmar uma citação: podem ser lançados Overwatch, Call of Duty, Battlefield, The Legend of Zelda, Horizon Zero Dawn entre zilhões de jogos divertidos e que rendam milhões…mas os ícones são imbatíveis. Crash Bandicoot, Mario, Sonic, Pikachu entre um grupo muito seleto de personagens vendem só de ilustrar a capa de qualquer jogo. E não é por nada, eles conquistaram o público desde o princípio das gerações. Independente do valor ou das variáveis que tornam o jogo um sucesso ou não, só de uma dessas figuras surgir que já atingem proporções estrondosas.

Um dos maiores lançamentos do ano, Crash Bandicoot N’Sane Trilogy é o mais recente sucesso do PlayStation 4. Ainda que seja a mesma trilogia jogada no primeiro PlayStation, sem conteúdo adicional ou novidades, ele atingiu por duas semanas o primeiro lugar de vendas desde o dia 30 e segue firme com esta posição em todo o mundo (ainda sem número exato de vendas). Crash, apesar de antigo, foi restaurado pela Vicarious Vision (subsidiária da Activision, detentora dos direitos e fabricante do game) e traz gráficos do antigo para a nova geração.

Crash Bandicoot retorna para o mundo dos games após 19 anos do lançamento do último jogo da trilogia, no primeiro PlayStation

O que surpreende é o número insano de compras do game, que inclusive teve o lançamento nacional em Santos, que refletem a ausência que um jogo desses faz no mercado. Mas não se engane pelo visual simpático de Crash Bandicoot, para algumas pessoas ele é sinônimo de um dos personagens mais emblemáticos dos games com ótimas memórias para contar, para outros ele é um dos jogos mais difíceis de uma geração e que pode ser mais do que desafiador: tornar aquele que fechá-lo um verdadeiro “mestre” da plataforma.

Santos recebeu o lançamento nacional de Crash Bandicoot N’Sane Trilogy, com a presença do personagem e muita gente na Moove Games e Brinquedos.

E não era o único. O emblemático Super Mario Bros, do Super Nintendo, também era um dos mais difíceis de serem concluídos de sua época. Antes mesmo de Dark Souls e Bloodborne entrarem no mercado, o simpático encanador já demonstrava que, apesar dos desenhos e colorização infantis, não havia nenhuma brincadeira ali. Mas isso não impede as demais pessoas de se empolgarem com a franquia. O próprio Super Mario Odyssey, lançamento para o Nintendo Switch em 27 de outubro deste ano, teve seu vídeo da E3 visualizado por mais de 13 milhões de pessoas.

Outro personagem que confrontava o Mario na época era o Sonic, que de veloz e descolado trazia tormenta para os desavisados. Somente neste ano, serão dois games da franquia que chegarão às mãos dos apaixonados pelo ouriço azul: Sonic Mania e Sonic Forces. O primeiro, mais voltado aos fãs antigos, trazendo de volta o estilo dos primeiros jogos para a nova geração numa aventura inédita e cheia de nostalgia. Enquanto isso, o segundo é um visual tridimensional do herói, no qual se unirá ao confronto toda a equipe e te dará a opção de criar seu próprio personagem para ajudar a enfrentar os perigos que assolam a Terra.

Sonic Mania chega em 15 de agosto de 2017 para o Xbox One, PlayStation 4 e Nintendo Switch.

Mais tímido, porém nunca esquecido, até o Megaman retorna em Legacy Collection 2 (qual primeiro game saiu em 2015) que reúne do sétimo ao décimo jogo do robô. Também sendo um dos principais personagens de Marvel VS Capcom Infinite (após sua participação em Super Smash Bros for 3DS / Wii U), será mais um personagem que salta do passado diretamente nos nossos videogames da geração atual, trazendo sua dificuldade e sistemas antigos para os novos jogadores.

Vocês podem achar que talvez seja paranoia minha, mas não é estranho ver tantos jogos do passado (e os principais) voltando ao mesmo tempo? Crash sempre foi um desejo dos fãs, sendo trazido da mesma forma, apenas com visual renovado. Mario já era mais do que esperado, mas ainda assim seu anúncio e vídeos sobre o jogo estão rendendo diversas críticas positivas e discussões entusiasmadas pela internet. Sonic, eterno rival do Mario e atual parceiro de Nintendo, também retornará a todos os consoles num game da mesma pegada que os clássicos do Mega Drive. Megaman, que apesar de não receber um jogo novo há anos, continua presente em nossas prateleiras entre uma participação aqui ou coletânea ali. Todos em 2017.

Sem data de lançamento até a E3, Super Mario Odyssey chega ao Nintendo Switch em outubro para fazer companhia ao The Legend of Zelda: Breath of the Wild no hall do console. 

Não, caros leitores, não quero insinuar nada, nem que haja uma conspiração para ressuscitar ícones do passado no presente, nem que estão tentando a todo custo tomar nossa grana apelando para o emocional (se bem que, sendo isso ou não, estão conseguindo) ou qualquer outra ideia. É uma estratégia de mercado, foram anos se passando, jogos sendo lançados e os fãs clamando pelos clássicos realizarem seu retorno. Mario pode nunca ter nos deixado, mas desde a franquia Galaxy (Wii) nada foi tão impactante na vida da Nintendo referente ao personagem. Crash sumiu no PlayStation 2, Sonic vive de adaptações e participações que não caíram no gosto dos fãs, Megaman então…nem se fala.

O que mais me parece é que todos os desenvolvedores encontraram uma fórmula, algo digno de homenagear seus principais personagens sem estragar o que eles representam, ao mesmo tempo. Até mesmo a animação de Castlevania acabou mais aclamada que suas últimas adaptações ao PlayStation 3 e Xbox 360. Nunca ouvir aos fãs se tornou tão essencial aos negócios quanto ultimamente, não é?

Desculpem jogar essa informação na cara, mas a maioria dessas empresas sempre ignoraram os fãs. A Activision (Crash) fazia o que dava na telha e lançava, independente se era bom ou de qualidade. A Capcom sofreu com adaptações mal-resolvidas de Resident Evil, Street Fighter e Megaman e teve de parar para reavaliar o que estava fazendo. A Nintendo quase despencou pelas vendas baixas do seu aparelho Wii U. A SEGA sumia e reaparecia timidamente em alguns momentos. Até alguém ter a ideia genial de se perguntar “o que os fãs querem jogar?”

Apesar de ser um excelente jogo, Street Fighter V foi bastante criticado pelo público por não seguir aos maiores pedidos dos fãs

De resto, nem preciso comentar certo? O Crash Bandicoot N’Sane Trilogy se tornou item indispensável para quem é dono/dona de um PlayStation 4, o Nintendo Switch é um dos maiores sucessos da empresa e prestes a ter um final de ano com vendas ainda maiores por causa de Super Mario Odyssey, Sonic Mania está movendo os mais ardorosos jogadores a segurar suas hypes para ter em mãos essa obra da SEGA…

Não só as empresas, o mundo se move através de comunicação. Ações e reações. Se você só faz besteiras na vida e fala coisas absurdas, colherá isso. Se até fazendo tudo certo haverão reclamações, imagina não agindo da melhor forma. Para o mundo dos negócios, isso significa uma queda abrupta de lucros, funcionários sendo despedidos ou abandonando a companhia para seguir seus próprios caminhos e opções e para os fãs, infelicidade ao notar que seus personagens favoritos da infância são sequer considerados no cenário atual.

Tudo é uma questão de reciprocidade. Com o passar dos anos, se dá a falta de certos games e os jogadores pedem. Ainda mais no ápice da tecnologia, que dá para criar e produzir com uma liberdade absurda. Os desenvolvedores ouvindo e trazendo isso à realidade gera uma energia positiva entre ambos os lados, com retorno financeiro garantido e com pessoas que, com certeza, confiarão na empresa em seus próximos lançamentos. Caso isso não seja levado em consideração, prepare-se para outro período difícil no mundo dos games. Claro que momentos difíceis trazem outras visões e personagens marcantes…mas o novo nem sempre precisa descartar o antigo. E os fãs nem sempre precisam ser considerados apenas como “consumidores finais”, mas sim como colaboradores e o principal público deste nicho.

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