Estação X
Diego Corumba

Jornalista especializado em games

O fim do PlayStation 3

Esta semana a Sony anunciou o fim da plataforma PS3, com o encerramento de sua fabricação. Mas o que suas memórias trazem?

29 de março de 2017 - 10:13

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O fim chega para todos…e para tudo. Desde o início do ano o mercado de games foi cercado de rumores de que a produção de alguns consoles chegaria ao fim. Nintendo Wii U, console lançado pela Nintendo em 2012 (no Brasil, em 2013) se despediu do público para a entrada do novo console, o Switch, atual foco da empresa e agora tivemos a confirmação pela própria Sony de que o PlayStation 3 também pararia de ser fabricado.

 Temos o PlayStation 4 há quase quatro anos, isto aconteceria de uma forma ou outra, mas é um baque no setor que não existe medidas. Se você julga “efeito do tempo”, diga isso às pessoas que percorrem semanalmente as lojas de videogames atrás de um PlayStation 2. Se surpreenderia com a quantidade de gente que ainda gostaria de jogá-lo. Com isso, a Sony e a Nintendo deixam o espaço para a única restante da última geração, o Xbox 360, dar um decreto oficial de que o tempo deles já se foram.

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O último modelo fabricado, o Super Slim, ainda pode ser encontrado nas lojas)

 Antes de fecharmos o caixão, devemos nos recordar sempre de como uma geração de videogames pode marcar a vida de algumas pessoas. Como existem jogos que dão uma mudança de status quo para uma quantidade enorme de jogadores. Sendo sincero e bem direto, eu não estaria aqui falando de The Legend of Zelda: Breath of the Wild, Resident Evil VII, Rocket League e diversos outros games se a geração passada não desse o caminho para estes games brilharem hoje.

O PlayStation 3, de acordo com o site VGChartz, vendeu aproximadamente 86 milhões de peças em todo o mundo desde seu lançamento, em 2006. Em números, foi o sexto videogame mais vendido de toda a história. Em 11 anos, entre seus vários lançamentos, o console foi o primeiro a instituir o sistema da PlayStation Network, responsável pela assinatura Plus (que hoje permite que jogue online com os amigos, mas no PS3 mantinha gratuito este serviço), download de jogos, aplicativos e temas, chat durante o game e muitos outros conhecidos pela atual nação que joga os videogames.

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A assinatura PlayStation Plus ainda recebe suporte para o PS3 e oferece dois jogos gratuitos por mês

Isto sem falar dos jogos que surgiram desta geração e fizeram a alegria dos fãs do mundo todo. Só para citar alguns, inFAMOUS foi um dos marcos da Sony com o sistema de escolhes, fazendo você pender para o bem ou para o mal, com suas habilidades super-poderosas decidindo se você seria o herói ou vilão do jogo; Little Big Planet, com seu criador de fases e estilo “Mario” de se jogar e conquistar os mais novos; Uncharted, que alguns acusam de ser cópia de Tomb Raider, mas que conquistou muitos fãs juntos ao ladrão Nathan Drake em busca de raros artefatos pelo mundo e a última, mas não menos importante pérola, The Last of Us, que criou uma maneira nova de se jogar e de contar uma história através dos videogames.

Todos estes jogos foram responsáveis por trazer o público para mais perto, com experiências inovadoras e algo a mais a quem joga. Além dos citados acima, Beyond: Two Souls e Heavy Rain inovaram a mecânica de progressão do enredo de um game, trazendo diversos finais, histórias que poderiam desenvolver extras dependendo da sua atuação e abriu caminho para os atuais Until Dawn e Life is Strange. Se eles existem, é por causa do que estas ideias trouxeram.

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Heavy Rain inovou o mercado trazendo quatro tramas que alteram a seqüência do thriller contra o assassino do origami

Mas não foi apenas de flores que viveu o console. Caçoamos da Microsoft e sua infame apresentação na E3 mostrando o Xbox One, mas há alguns anos antes, a Sony caía no mesmo “buraco” com o PlayStation 3. O formato do controle era controverso e prometia algo que mal foi utilizado em toda a vida útil do videogame (a tecnologia Sixaxis, de movimentação giroscópica), o preço alto para a época (cerca de R$2.400,00 de acordo com a cotação antiga do dólar) e os problemas pós-lançamento com a luz amarela da morte, que impedia o funcionamento do console.

Com mais acertos do que erros, ainda assim, a Sony se superou nos anos seguintes. Por mais que o Xbox 360 tenha sido bastante vendido e conhecido no Brasil por causa da pirataria, no resto do mundo ele ficou uma posição abaixo que o console PlayStation, vendendo cerca de 85 milhões. Além disso, o serviço online para jogar com os amigos, na Sony era gratuito e na Microsoft sempre foi pago (a assinatura Xbox Live Gold surgiu em 2002 no primeiro Xbox e segue até hoje na linha Xbox One) e os games conhecidos da geração PS2 continuaram no seu sucessor e não em ambas plataformas (como God of War III, Devil May Cry 4, Gran Turismo 5 etc.).

E foi neste videogame que surgiram diversos games que amamos na nova geração: Destiny, Watch_Dogs, Batman Arkham, Assassin’s Creed, Bioshock, entre outros que mantiveram o rumo do console em direção ao sucesso. Como eu disse anteriormente, tudo chega ao fim, mas nunca deixa de ser triste. O videogame acompanhou histórias, alegrias, tristezas (se você jogou 10 minutos de The Last of Us sabe do que estou falando), diversão, momentos de união e briga e vários outros que só quem pegou o DualShock 3 na mão pode descrever.

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Batman Arkham Asylum foi um dos games que surgiu no PS3/Xbox 360 e trouxe um novo modo de ver o herói

Foram 11 anos de acompanhamento não apenas de entretenimento, mas de nossas vidas. O videogame não é apenas uma plataforma de diversão, é um instrumento de contar histórias, experiências, desenvolver o personagem não significa apenas o crescimento e aumento de nível dele e dos demais, mas sim também do seu próprio. Tudo que você absorve daquilo vai te acompanhar e estar contigo pelo resto da vida, independente da sua opinião após ter jogado o game X ou Y. As horas passadas, aquele universo se construindo bem à sua frente, nada disso sumirá junto com o fim do console.

O adeus do PlayStation 3 não é significativo apenas por sua caminhada, pelos seus jogos ou pela construção do rumo que trouxe o PlayStation 4. É significativo por tudo que nos ofereceu (e tem a oferecer, ainda há consoles no mercado e games) e nos ensinou. Independente do gosto ou da opinião, o PS3 foi um divisor de águas e impôs seu nome com força no universo dos games em todo o mundo. Quando joguei um, pela primeira vez, na casa de amigos em plena madrugada com Mortal Kombat (o nono jogo da franquia), mal imaginava o que aquele videogame me traria. Pois bem, sua fabricação acabou. PS4 continuará o legado. Porém, o meu PlayStation 3 terá suas luzes ligadas por muitos anos que ainda virão. Junto com eles, as memórias que nem o tempo poderá apagar.