O Homem do Ano | Boqnews

Ponto de vista

2 de abril de 2014

O Homem do Ano

A história narrada em “O Homem do Ano”(2003) discute um assunto que, sem sombra de dúvida, tem muito pano de fundo para se apoiar e sempre se apresentar de forma atual: a liberdade contra a criminalidade. Neste longa-metragem, somos convidados para acompanhar a ineficiência da polícia, em garantir a tranquilidade de pessoas físicas e jurídicas, por meio da vida de Máiquel, um homem que, por ironia – ou não – do destino, perde seus almejados momentos de gozo e tranquilidade ao começar a garantir isso aos outros de forma violenta.

O roteiro foi escrito por Rubem Fonseca, e é uma adaptação do livro “O Matador”, da autora de romances policiais Patrícia Melo. A direção foi assinada por José Henrique Fonseca, que também dirigiu a produção “Heleno”(2011), um excelente filme sobre a vida de Heleno de Freitas, a primeira grande estrela do Botafogo.A direção de fotografia, muito bem trabalhada nas cenas externas e internas, ficou por conta do também cineasta Breno Silveira, o mesmo de “Eu, Tu e Eles” (2000), e que dirigiu a linda história “Dois Filhos de Francisco” (2005).

No filme, o protagonista Máiquel (Murilo Benício), um homem sem muitas palavras e que carrega um constante desgosto da vida em seu semblante, vê  sua vida começar a mudar depois que ele conhece a cabeleireira Cledir (Cláudia Abreu) e pinta o cabelo de loiro. Ao ser chamado de “viadinho” por Suel (Wagner Moura), um temido ladrão do bairro, Máiquel se vinga e mata um homem pela primeira vez na sua vida, ação que o torna um matador contratado pelos empresários figurões que pretendem “tirar o lixo das ruas”.

Mesmo contra a sua vontade, o personagem se torna um mercenário divino, pois todos lhe entregam presentes na porta de sua casa e não cobram nada por serviços por ele requisitados. Ele é o novo herói do pedaço, e até a polícia reconhece isso ao dizer que “ele fez uma gentileza para a polícia e para a população”.

Num filme onde a maioria das cenas são filmadas à noite e em ambientes internos, a fotografia tem bom desempenho ao passar uma sensação de melancolia na vida de Máiquel, que se vê cada vez mais distante dos seus planos de paz. Neste contexto, o leitãozinho que ele ganha de presente para virar um suculento jantar, acaba por se tornar sua melhor companhia até aparecer à sua porta a personagem Érica (Natália Lage) – que era sustentada por Suel e agora pede nova moradia -, uma das peças do quebra-cabeça que irá montar o cenário de frenesi constante nas atitudes do justiceiro de cabelo loiro.

Em dias como os de hoje, em que vemos nos noticiários pessoas fazendo justiça com as próprias mãos, amarrando pessoas suspeitas de cometer algum tipo de crime em postes e espancado-as como se fossem Judas de pano, o enredo nos aproxima ainda mais da situação roteirizada. Vendo por este lado, é fácil perceber que Máiquel não queria ser um justiceiro urbano. A troca de valores mostra exatamente o contrário, ele buscava a mesma liberdade que seus contratantes queriam, mas alguém precisava pregar o Cristo e sujar as mãos de sangue.

Máiquel é o Monstro de Frankestein costurado com os trapos da ignorância e os da falta de sensibilidade da parcela da sociedade que é a favor da pena de morte e do gatilho descontrolado da polícia, que atira para depois perguntar. O cabelo loiro é mais que o desejo estético pessoal, é a transformação de um homem em alguém que possa ser reparado pelos outros. Tanto que, sendo impossível de voltar atrás e apagar a sua história de violência, a única saída do protagonista é comprar um pote de tinta para cabelo na cor preto e, em questão de minutos, voltar e recomeçar a vida do zero

Da Redação
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