O Hóspede Maldito | Boqnews

Ponto de vista

24 de janeiro de 2017

O Hóspede Maldito

A porta da fazenda, entreaberta, range e abre no simples toque que dera nela. A iluminação está fraca, parece que ninguém não limpa as paredes, chão e os móveis há décadas e a cozinha possui tripas, comida estragada e lixo a todo o seu redor. Você percebe que a residência é feita de madeira, porque qualquer barulho faz o piso estalar e ranger. Mesmo quando você não se move. Este é o cenário da fazenda Baker, localizado em Dulvey, Lousiana (Estados Unidos). Afastada da cidade grande e estradas, o local é conhecido por terem desaparecido muitas pessoas ao longo dos anos. Mas a residência, ao contrário do que acreditam, não está vazia.

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“Seja bem-vindo à fazenda Baker, onde calma e paz serão as últimas coisas que lhe farão companhia”

O novo game da franquia Resident Evil VII lança hoje (terça, 24) e apresenta uma nova releitura do que um jogo de terror pode trazer aos jogadores. Como nos outros textos, não falarei a respeito de gráficos, jogabilidade ou fatores que, apesar de importantes, não são o foco. Discutiremos aqui o fato de um jogo de terror ter ressurgido após tantos anos, vencendo a si próprio e reinventando o gênero no cenário atual de videogames.

Explicando um pouco sobre o game, Ethan tinha uma esposa chamada Mia, que desaparece repentinamente e permaneceu sumida por três anos. Tentando “seguir em frente”, Ethan recebe um vídeo da mulher pedindo para buscá-la na fazenda Baker. Indo contra os conselhos dos amigos, ele segue para o local, para descobrir uma série de acontecimentos macabros que marcam o novo jogo. A própria família Baker, envolta de mistérios e perigo, persegue o protagonista em cada recinto da casa e te faz sentir tensão a cada barulho, vento na janela ou porta se fechando atrás de si.

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“Conheça a família Baker, formada pelo pai Jack, a mãe Marguerite, o filho Lucas e alguns membros que lhe farão sentir ‘em casa’

O que realmente marca neste game é o fato de trazer o que um bom jogo de terror precisa para funcionar. Coisa que fizeram há 21 anos, com o primeiro game da franquia e se perdeu ao longo dos anos. Os atuais games mostraram que há uma falha no gênero há algum tempo, o próprio Resident Evil 6 (que mais parece um jogo de ação e tiro com zumbis, o que Call of Duty fez um trabalho melhor em apenas um modo nos últimos anos), The Evil Within (que apela para problemas psicológicos e se aproveita do “bizarro”), Outlast (com seus “jump scares”) e outros. Todos pareciam uma repetição enorme de uma engrenagem que os jogadores já sabiam como girava. Não que o novo Resident Evil VII revolucionou e fez algo totalmente fora da caixa, muito pelo contrário. Ele usa diversos elementos de games distintos com sua personalidade. Mas ao menos faz a engrenagem girar e funcionar.

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“O jogo tem uma razão para estar em primeira pessoa, causando muito mais impacto em sua execução”

Você pode ver até mesmo pelo cenário de filmes de terror como a fórmula já está batida. Precisa de mais do que adolescentes, um serial killer, “jump scares” e um enredo coeso (alguns nem isso possuem) para funcionar. Um seriado que assisti recentemente, Scream, possui um personagem chamado Noah que disserta sobre isso várias vezes. Filmes/Seriados/Jogos caem no erro de repetição de padrões, de elementos que são construídos ao redor da história que funcionaram uma vez em algum deles e os outros usam também, tentando pegar a onda do mesmo sucesso. Não vamos mentir que alguns conseguem, compramos algumas ideias que se formos analisar, são iguais a muitas outras que podem até ser melhores. E não vamos mentir que isso acontece APENAS em filmes/seriados/jogos do gênero terror, certo?

A diferença que Resident Evil oferece é resgatar algo criado no primeiro PlayStation, com suas atualizações tecnológicas (lógico), com elementos muito bem trabalhados e que trazem à tona todo o pavor, tensão e não saber o que lhe espera a cada corredor que se vira. E este mistério lhe acompanha em todo o game, junto aos quebra-cabeças conhecidos da franquia, à ambientação pesada (o primeiro se passava na mansão e o segundo na delegacia, por exemplo, o que é trazido à tona com a fazenda dos Baker no novo jogo. Mas isso não significa que toda a sua experiência se passe APENAS ali…) e a todo trabalho realizado pela Capcom à frente da franquia.

IMAGEM 4 (LEGENDA: “além de terror e sustos, o jogo também traz uma quantidade enorme de violência, o que foi muito bem executado no roteiro principal e na ação dos personagens”)

“além de terror e sustos, o jogo também traz uma quantidade enorme de violência, o que foi muito bem executado no roteiro principal e na ação dos personagens”

Se vale a pena comprar ou não? Aproveite que existem demonstrações na PlayStation Store e na Xbox Live e veja com seus olhos e com a mão no controle como funciona o game. Se gosta de jogos de terror, tem afeição ou curiosidade, é indispensável para o gênero, seja pelo atrativo da inovação e novidades ou pela nostalgia e referências aos primeiros jogos (clássicos que a própria Capcom ressuscitou com a remasterização para a nova geração).

Da Redação
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