O mau pagador de promessas | Boqnews

Ponto de vista

20 de junho de 2013

O mau pagador de promessas

Quando Geraldo
Alckmin e Fernando Haddad anunciaram o retorno da passagem de ônibus a R$ 3 na
capital, ambos usaram – quase um coral – a palavra sacrifício. Só faltou se
abraçarem, apesar de que a jura de amor aconteceu nos discursos, quase sempre
afinados nas últimas duas semanas, desde que começaram os protestos em São
Paulo.  

Se é possível dizer que os dois demoraram a entender o que
se passava em seus territórios, também é cristalino perceber que o governador
saiu tão queimado das manifestações como os ônibus atacados por uma minoria.
Aliás, este grupo pequeno pode ser chamado de vândalo, e não a grande massa de
pessoas, desqualificadas pelo Governo como cidadãs e reintituladas baderneiras
na semana passada, com apoio de parte da imprensa servil.

Alckmin, como todo governante, desmereceu o grito da
população para depois sussurrar a contraordem diante de um cenário político
desfavorável. De cara, mandou a polícia descer o porrete nos manifestantes,
relembrando os anos de chumbo. Uma das diferenças eram as balas de borracha,
que também podem matar, deveria saber o médico que administra o Estado.

Diante
dos cassetetes da política, Alckmin recuou e pediu que a polícia apenas
observasse o que se passava nas ruas. De fato, o governador pagou para ver e
talvez sinta o preço de sua aposta equivocada daqui a 15 meses, quando tentará
a reeleição. 

O auge da soberba de Geraldo Alckmin aconteceu na
quinta-feira retrasada, quando Santos se transformou em capital das promessas
por conta das comemorações do aniversário de José Bonifácio. O governador não
só fez uma lista de juramentos como também tentou ignorar o barril de pólvora
que se transformava a capital paulista.

Entre as promessas, a construção de Unidade Básica de
Saúde em Santos, de um Centro de Referência ao Idoso na mesma cidade, a
instalação de uma unidade do Bom Prato em Vicente de Carvalho e a construção de
um Posto de Atendimento ao Trabalhador em São Vicente. No caso do PAT, a obra
começaria somente em 2015, quando talvez o governador seja outro sujeito. O
repórter Alessio Venturelli, de A Tribuna, procurou todas as Prefeituras
correspondentes, além do próprio Governo do Estado. Não há algo concreto, entre
projetos, custos e prazos de entrega das obras.   

No Twitter, rede social bastante utilizada por Alckmin e
sua equipe, nenhuma palavra sobre o que acontecia em São Paulo. Apenas a divulgação
das promessas de obras na Baixada Santista. Na última mensagem antes do boa
noite, os cumprimentos pelo aniversário da cidade de Guaratinguetá, enquanto os
PMs cumprimentavam jovens com suas bombas de efeito para quem julgam imorais.

A promessa pirotécnica ocorreu em 29 de maio. Geraldo Alckmin
esteve em Santos para dar início às obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT),
moeda de troca na política local há quase 20 anos. Com toda pompa,
circunstância e puxa-sacos, o governador deu o primeiro toque de maquiagem.
Desde então, as obras seguem paralisadas na avenida Conselheiro Nébias. Basta
passar lá e testemunhar o segurança que toma conta dos equipamentos.

As obras fantasmas do VLT não deveriam deixar ninguém de
queixo caído. É de praxe o atraso de obras públicas, não importa a cor do
partido do governante. Mas, no caso das lideranças do PSDB, há uma nota de
rodapé marcada pelo patético. Em março de 2010, o então candidato à presidência
da República, José Serra, veio a Santos inaugurar a maquete da ponte entre
Santos e Guarujá.

Um ano depois, o próprio Alckmin enterrou o projeto. A
maquete foi para o lixo. E pediu reestudo do projeto, sinônimo da gaveta do
esquecimento. Qual seria a diferença entre inaugurar uma maquete e uma obra que
sequer rasteja? A prática mostra um rosário de semelhanças e de promessas.  

Da Redação
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