Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

O melhor amigo (I)

18 de novembro de 2015 - 11:15

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Quem será o melhor amigo do homem? Quem o ser humano considera imprescindível para tornar o seu dia-a-dia mais feliz? Quem é mais importante para minimizar a tristeza nos momentos de baixo astral? Quem pode ajudar as pessoas nas situações mais inesperadas?

Será o automóvel? Se fosse, as pessoas não seriam felizes sem ele. Será o computador? Este pode fazer muitas coisas pelo dono, até falar com ele, mas não tem sentimentos. Será o iPod? De jeito nenhum, pois ele só serve para tocar automaticamente as músicas solicitadas. Será o celular? De forma alguma, pois ele somente reage aos comandos do proprietário. Será o uísque? Só para os alcoólatras. Será Deus? Nunca, pois “Deus é a inteligência suprema, a causa primária de todas as coisas” e o fato dele querer sempre o bem do ser humano, não significa que possa estar no seu nível para ser seu amigo.

Parece que muitos consideram que o melhor amigo das pessoas é aquele ser único e insubstituível: o cachorro. Este adora o seu dono incondicionalmente, chova ou faça sol, na alegria ou na tristeza, na prosperidade ou na pobreza, na saúde ou na doença, sem nunca pedir nada em troca. Ele não tem preconceito de raça, cor, idade, sexo ou posição social.

O cão jamais trairá o seu herói, mesmo que seja maltratado ou abandonado por ele. Ele tentará ficar sempre ao lado de seu ídolo, mesmo em cima do túmulo após sua morte, quando todos tiverem se afastado.

Quem ainda não se comoveu, ao ver um mendigo, sujo, cheirando mal, dormindo na calçada sobre alguns trapos velhos, abraçado ao seu fiel cachorro?

Para muitas pessoas valem as seguintes reflexões: seu cão não irá abandoná-lo em um asilo, quando envelhecer. Seu cachorro não irá se divorciar por incompatibilidade de gênios. Seu cãozinho não o trairá com seu pseudo amigo da raça humana. Seu cachorro não irá abandoná-lo porque ficou pobre. Seu cachorrinho não deixará de amá-lo porque tem junto de si outros concorrentes brigando por sua atenção.

O cachorro ajuda seu dono a manter sempre acesa a chama do bom humor, que é fundamental para assegurar uma vida mais saudável. Ele é a alegria da casa. Ele incentiva seu protetor a manter sempre viva a criança que mora dentro dele. Ele facilita o equilíbrio da pressão arterial da pessoa, provocada por estresse, conforme comprovado em diversas pesquisas. Corre uma piada pela Internet sobre a experiência que se deve fazer para provar que o cão é realmente o melhor amigo do homem. Basta alguém prender o seu cônjuge e o cachorro no porta-malas de um carro e abri-lo após 20 minutos. Quem estará feliz em vê-lo novamente?

Brincadeiras à parte, se isso acontecesse de fato, mesmo por um tempo menor, qualquer familiar ou amigo que fosse colocado junto ao cachorro, não aceitaria a situação da mesma forma positiva que o animal.