Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

O Melhor Amigo II

09 de dezembro de 2015 - 11:00

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As pessoas que nunca conviveram com um cachorro, não podem imaginar a felicidade que é viver ao lado de um.

Infelizmente existem indivíduos que resolvem adquirir um cachorro, por estar na moda ou para destacar em seu meio social, esquecendo-se que este não necessita de um proprietário e sim de um protetor.

Ter um cachorro envolve uma série de responsabilidades, que precisam ser pensadas e repensadas com muito cuidado antes de se tomar a decisão. O cachorrinho vai ficar o dia inteiro sozinho? Algumas raças não agüentam essa condição e os vizinhos certamente ficarão incomodados com o latido constante. O porte do cão é compatível ao tamanho do imóvel? Não esquecer que eles também crescem. O cachorro vai compartilhar todo o ambiente ou ficará confinado à área de serviço de um apartamento? Pode parecer que ele se acostuma facilmente, mas sem dúvida a tristeza e o estresse farão parte de sua vida. Existe alguém na família com boa vontade para passear com o cachorrinho todos os dias? O animal não precisa sair diariamente só para satisfazer suas necessidades fisiológicas e não sujar o apartamento.

Ele também tem o direito de ser feliz através do contato com o ambiente externo tão rico em odores diversos. Para o cãozinho, em várias situações, o ato de cheirar é mais importante do que olhar e mesmo comer. Ele perde a fome após comer, mas nunca perde a vontade de cheirar o desconhecido. O cachorro vai entrar na família para valer, ou virá apenas por impulso ou ainda para se livrar das cobranças do filho caçula? Certamente, este não terá condições de cuidar do animal.

É fundamental assumir de corpo e alma a decisão de trazer para o convívio do lar, aquele que provavelmente irá transformar a vida da família para melhor. No entanto, se imprevistos ocorrerem que impeçam a permanência desse amigo, todos os esforços deverão ser tomados para encontrar um novo alguém que mereça tomar conta do seu melhor amigo.

É lógico que existem muitas pessoas que não gostam de cachorros. Essa opinião precisa ser respeitada. Mas “pagar para ver”, em muitos casos, é a única forma de ganhar. Às vezes, aquele membro da família que foi o único contra a vinda do cãozinho, após algum tempo de convivência torna-se o seu maior defensor e admirador. O cão só tem um “defeito”: não consegue enxergar as falhas e fraquezas do seu dono, pois somente percebe suas qualidades. Por que então não pedir a Deus para ajudá-lo a ser aquele tipo de pessoa, que o seu cachorro pensa que é?