Carlos Pinto

Oportunismo barato

Jornalista e ex-secretário de cultura de Santos Carlos Pinto disserta acerca da situação política nacional

13 de agosto de 2019 - 08:31

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A trairagem na política brasileira é fato tradicional. Temos os mais variados exemplos, e agora, o mais recente é o do nosso ínclito governador, que está sujando no prato onde comeu. Durante a eleição traiu seu companheiro Geraldo Alckmin, candidato tucano à Presidência e se aliou ao Bolsonaro. Agora, deixa de lado o capitão e se alia ao presidente da OAB, cujo passado é tenebroso.

Mas, afinal de contas, o que aconteceu para essa mudança de lado? Se até ontem era só elogios ao presidente, porque agora virou a casaca? Surgem nas entrelinhas as mais variadas versões. Uma de que o pai do nosso janota teria sido preso durante o regime militar. Mas só agora ele se tocou que o capitão é o lídimo representante dos militares? Que representa a mesma direita da qual ele faz parte ativa?

Mas talvez a versão que mais se adapta está intimamente ligada às mudanças verificadas na direção do BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social. O mesmo que andou financiando indevidamente para alguns, a compra de aeronaves e coisas afins. Seria isso? Só o atual presidente do banco e o presidente Bolsonaro podem responder a essa questão. Se for isso, estamos diante de mais um paladino do quanto pior melhor.

Mais um oportunista que desembarca dessa Arca de Noé, o que, em princípio, é muito bom para o Governo Federal e péssimo para os paulistas. O Governo de São Paulo, de acordo com o analista econômico Rodolfo Amaral, vem ao longo dos anos surrupiando verbas da Baixada Santista, uma região que possui pouco mais de 4% da população do nosso Estado, em se tratando de aplicação de recursos devidos.

Nos últimos 20 anos, a região recebeu recursos estaduais da ordem de 0,65%, o que na visão do Rodolfo Amaral, e na minha também, é uma tremenda vergonha. Ainda, segundo os estudos do nosso economista, o valor médio anual que nos é surrupiado atinge por enquanto, a casa dos R$ 8 bilhões, uma cifra que se equivale à arrecadação anual nos nove municípios que compõem a região da Baixada Santista

. Talvez o nosso dândi palaciano se valha da fraca representativa na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal para dançar e tripudiar sobre as necessidades das nossas populações. Culpas cabem aos nossos eleitores, que acreditam em sonhos de uma noite de verão e elegem um pessoal sem qualquer qualificação para nos representar.

E essa situação está piorando no atual exercício, pois até o final de julho, as despesas do Estado atingiram pouco mais de R$ 126 bilhões, enquanto que para nossa região foram destinados apenas e tão somente menos de R$ 670 milhões, ou seja: 0,53%. Não se vê qualquer gritaria por parte dos vereadores dos nove municípios, e muito menos, da mídia regional. Ou se trata de má fé absoluta ou uma total e elevada ignorância com relação às contas públicas.

Com isso, sobra tempo para o nosso dândi janota defender o presidente da OAB e tentar cutucar onça com vara curta, enquanto a população do nosso Estado corre o risco de sofrer restrições por parte do Governo Federal. Enfim, é o que temos para hoje.