Ponto de vista
Orla de Santos
ADILSON LUIZ GONÇALVES
A Prefeitura de Santos propôs algumas alternativas para implantação de uma pista de pedestrianismo na orla da praia.
De fato, é comum ver pedestres caminhando ou correndo na ciclovia, disputando espaço com usuários de bicicletas, skates e veículos elétricos.
Fora da ciclovia, o piso de mosaico de pedra também não ajuda muito, além da competição com pedestres caminhantes, o que faz alguns corredores optarem pela avenida, prejudicando o trânsito de veículos e correndo riscos ainda maiores.
As soluções propostas pela Prefeitura para implantação da pista de corrida foram: ampliação da faixa da ciclovia para o lado das avenidas da praia, suprimindo vagas de estacionamento; supressão de parte do jardim da praia; e avanço da calçada no lado da areia.
Suprimir vagas de estacionamento é transferir o problema para os motoristas.
Suprimir parte de um jardim tombado pelo patrimônio histórico e presente no Guinness Book, é arrumar ainda mais dores de cabeça.
Para mim, a solução mais plausível é a de avanço para o lado da areia, e explico minhas razões:
Eu fiz essa proposta há cerca de 20 anos, quando sequer existia a ciclovia, e não apenas em função dela.
Propus avançar a calçada cerca de três metros. Nela seria implantada a ciclovia e, sob ela, infraestrutura de utilidades (redes de abastecimento de água, coleta de esgoto e eletricidade) destinadas a atender eventos na orla.
Administrar uma cidade é uma tarefa hercúlea. Para tentar evitar ou, ao menos, mitigar conflitos, qualquer solução deve ser pensada de forma holística, baseada em técnica, bom senso e empatia.
As conexões seriam dispostas em espaços regulares, com acesso controlado pela Prefeitura.
Tempos depois, o então governo municipal decidiu implantar a ciclovia na orla.
A alternativa de extensão da calçada na faixa de areia foi um pouco “gulosa”, que eu me lembre. Previa mais de 20 metros de largura! Foi vetada.
Por fim, a alternativa adotada foi avançar pelas avenidas da orla.
Várias vagas de estacionamento foram suprimidas e, em alguns trechos, a pista José Menino – Ponta da Praia perdeu uma faixa de rolamento, além das remanescentes terem suas larguras reduzidas.
Assim, considero que as propostas de redução de vagas e alteração nos jardins são as menos viáveis.
A mais racional e menos impactante, que pode incluir minha sugestão de inclusão de redes de utilidades para o atendimento de eventos, é o avanço de poucos metros na faixa de areia.
A calçada ampliada seria “técnica”, assim como ocorre em paredes, pisos e colunas das edificações “inteligentes”, facilitando conexões e manutenções.
Creio que essa solução seria a mais promissora e de melhor resultado holístico. Outras propostas terão que ser melhores do que esta.
Administrar uma cidade é uma tarefa hercúlea.
Para tentar evitar ou, ao menos, mitigar conflitos, qualquer solução deve ser pensada de forma holística, baseada em técnica, bom senso e empatia.
Caso contrário, problemas podem ser agravados ou gerados, talvez mais graves e de difícil solução.