Ponto de vista
Padrão Fifa
Depois de conviver nos últimos quatro anos bem de perto com a alta cúpula do futebol brasileiro e dela discordar em seus regulamentos, regimentos, ou seja, em seus esdrúxulos regramentos, resolvi dela me afastar e hoje no refúgio do ostracismo apenas assisto aos jogos do Mundial com o chamado “Padrão Fifa”.
Continuo não concordando com essas entidades que cheiram a corrupção visível e maléfica para o nosso futebol. O comportamento de seus dirigentes é aviltante e revolta os torcedores, mesmo aqueles frequentadores dos estádios da Copa do Mundo, que não são os mesmos que comparecem aos jogos durante o ano nos campeonatos aqui do Brasil.
O conhecido professor e jurista Luiz Flávio Gomes alerta que: “O mundo das corporações corruptas (corporate crime) também constitui uma via de mão dupla: durante as manifestações de junho/2013 muitos cartazes brasileiros exigiam serviços públicos com “Padrão Fifa”. Um ano depois daquelas democráticas manifestações (que não incluíam violência, no princípio), em lugar de o “Padrão Fifa” chegar aos serviços públicos brasileiros, deu-se o movimento em sentido contrário: a Fifa está se “brasilianizando” nos seus padrões corruptivos” .
Vários patrocinadores da entidade futebolística mundial querem investigações profundas e detalhadas sobre o processo de eleição da Copa do Mundo de 2022, vencido pelo Catar (que é governado por uma petromonarquia). Lá não existe democracia, mas eles têm petróleo, dinheiro e, também (tal como no Brasil) muita corrupção. A Comissão de Ética da Fifa (presidida por Michael J. Garcia) está apurando as denúncias, especialmente a estampada no The Sunday Times, que afirmou que o dirigente de futebol catariano, Mohamed Bin Hamman (que fez parte da diretoria da Fifa), teria pago 3,7 milhões de euros (R$ 11,2 milhões) a 30 presidentes de futebol africanos para conseguir o Mundial de 2022 para o Catar (desses, quatro tinham direito a voto no momento da escolha).
A sustentabilidade do futebol mundial depende de ética e transparência, assim como de ações efetivas da Fifa, que não se mostrou nada exemplar no momento de agir contra os ex-dirigentes brasileiros (João Havelange e Ricardo Teixeira), que receberam gordas propinas quando dirigiam o futebol internacional e nacional (veja Folha 10/6/14, p. A2). A Fifa nem sequer discutiu suspender o pagamento das suas aposentadorias nem procurou exigir o dinheiro desviado.
Voltaremos neste assunto após a Copa do Mundo.
Por ora ,vamos torcer para que no campo nossos meninos sejam contemplados com futebol limpo e vistoso. É o meu desejo!