Ponto de vista
Papo com… Celso Amorim
Santista de nascimento e coração, Celso Luiz Nunes Amorim encerrou, no último dia 31 de dezembro, um período significativo de serviço ao Brasil. Completou oito anos como ministro de Relações Exteriores do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com os quase dois anos no mesmo ministério, durante o governo Itamar Franco, quando sucedeu Fernando Henrique Cardoso, tornou-se o diplomata mais longevo na função. Perto de completar 69 anos (3 de junho), esteve em Santos no dia 30 de dezembro para assinar contrato para doação de parte do acervo de imagens, comendas e presentes para a Fundação Arquivo e Memória de Santos (FAMS). Na ocasião, falou, em entrevista coletiva, sobre as ligações com o município onde nasceu e o trabalho exercido no Ministério.
Acervo em Santos
Trouxe para cá por dois motivos. Primeiro, pela ligação familiar, que sempre esteve muito presente, embora tenha vivido pouco tempo em Santos. E também pela Cidade ter me reconhecido. Fui homenageado duas vezes aqui, com o título de Cidadão Emérito, quando era ministro do governo Itamar Franco, e com a medalha Braz Cubas. Vejo que é um gesto de reciprocidade.
Peças do acervo
O núcleo do que está sendo trazido inicialmente são as condecorações. Como fui o ministro das Relações Exteriores que ficou mais tempo no cargo, e numa época com vários países, dificilmente outros ministros terão tantas condecorações internacionais como eu. Há algumas de momentos interessantes, que dizem respeito à minha atuação pessoal. Como a da conclusão da rodada Uruguai, que criou a Organização Mundial do Comércio (OMC), tão importante para o Brasil.
Presentes de autoridades
Do Jacques Chirac (ex-presidente da França), por exemplo, um dos presentes que ele me deu, um relógio, foi quando representei o presidente Lula em um seminário da ação global contra fome e pobreza. Um que guardo com muito orgulho é uma medalha que recebi do governo paraguaio após ser ministro. Quando você deixa de ser ministro e te reconhecem é algo diferente.
Santos FC
Meu pai era capaz de recitar o time inteiro do Santos de 1923. Corrigiu até o presidente. Papai era um grande torcedor. Antes os campeonatos eram, sobretudo, regionais. Eu morava no Rio de Janeiro e gostava do Flamengo. Mas quando havia um torneio nacional, não tinha como: meu fraco era pelo Santos. Inclusive, torcia pelo Santos antes do Pelé! (risos). E algo que me deixou muito contente foi ver o Santos voltar a ser campeão, porque papai pode ver isso antes de morrer.
Ministério
Eu acho que fizemos muita coisa. Não só na política externa, que é aquele campo que aparece, mas muita coisa mudou dentro do ministério. Evoluímos em discussões internas importantes. Temos pela primeira vez dois embaixadores que se autoidentificam como negros. Temos mulheres nos postos mais elevados da carreira diplomática. Quando entrei para o Itamaraty, a maioria dos colegas era da zona sul do Rio de Janeiro, majoritariamente de certos colégios. Hoje, há profissionais dos mais variados locais do Brasil.
Sucessor
O que posso dizer é que o Brasil está crescendo. Quem cresce, tem mais influência e também mais problemas. O meu sucessor terá mais problemas que eu, e espero que ele encontre as melhores soluções.
Moraria em Santos?
Pensar (em morar) a gente sempre pensa vagamente… Mas considerar essa possibilidade com mais seriedade, ainda não tive condição de fazer. Porque a maior parte da minha família mora hoje no Rio de Janeiro. Meu pai saiu daqui para o Rio quando eu tinha 4 anos. A própria família da minha mulher é toda fluminense. Mas Santos e Rio são bem parecidos. Até o sotaque era parecido. É que vocês mudaram, com essa proximidade de São Paulo (risos).
Umas & Outras
Feliz em…
Retornar, após um mês de férias da coluna. Uma volta ao espaço que procuro passar reflexão, paixão pelas artes, informação e, principalmente, busco valorizar pessoas nem sempre reconhecidas – em um veículo feito por profissionais apaixonados pelo ofício do Jornalismo. Espero que tenhamos bons personagens em 2011!
Ano novo e…
Nova governante. Começamos 2011, pela primeira vez, com uma presidenta e do PT fato que denota o quanto estamos avançando no exercício da democracia. No governo de São Paulo, Geraldo Alckmin exercerá o governo pela terceira vez com a missão de dar cara nova ao estilo administrativo neoliberal do PSDB, contrário ao estilo estadista do PT, que vem conseguindo atender o povo brasileiro com grandes projetos sociais. Nessa gestão, Alckmin contará com três secretários de Santos e região: Bruno Covas, Paulo Alexandre e Márcio França. Boa gestão aos nossos representantes!
Ano Novo e… II
Com os prós e contras de cada estilo administrativo, o PT tem vencido as últimas eleições presidenciais, sinalizando ao PSDB que mudanças estruturais são essenciais para vencerem as próximas eleições. Todavia, independente das questões ideológicas, devemos torcer para que ambos exerçam seus governos de forma a atender da melhor forma a população, visando diminuir essa terrível desigualdade social que ainda predomina em nosso País. Portanto, sem vaidades e picuinhas políticas. Que o bem da população prevaleça!
Parabéns
A cidade de São Paulo pelos seus 457 anos. Parabéns à sexta maior metrópole do mundo, que pulsa em ritmo frenético oferecendo o que há de melhor no mundo e também, infelizmente, o pior dos mundos. Isso é metrópole. E parabéns à nossa querida Santos pelos 465 anos. Terra da Caridade e da Liberdade, como é conhecida – tema tão bem retratado na revista especial, editada pelo jornal Boqueirão, em comemoração ao aniversário de Santos, publicada no último final de semana. Viva!
Nova diretoria
O Sebrae está com nova direção para o período de 2011 a 2014. Alencar Burti é o novo presidente do Conselho Deliberativo e Bruno Caetano é o novo diretor superintendente. Sucesso!