Ponto de vista
Passos de Tartaruga
O Brasil hoje pode ser comparado a uma tartaruga com rodinhas disputando um Grande Prêmio de Motovelocidade, no que se refere aos avanços em obras de infraestrutura, ficando para trás na largada e na chegada em relação aos demais países emergentes, como a China, Coreia do Sul, Indonésia e México.
As cidades não comportam a quantidade de carros em suas ruas, os aeroportos não suportam o número de pessoas embarcando em voos domésticos, as estradas não aguentam o volume de caminhões de cargas em circulação pelo País e os portos não resistem à entrada e saída de navios abarrotados de contêineres em seus atracadouros.
Esses gargalos recentes são consequências da falta de investimentos público e privado na infraestrutura do Brasil nos últimos tempos. Para reverter essa situação, o País precisa, no mínimo, investir 8% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano, em vez de atuais 4% em média, se quiser fazer frente às demais Nações que aplicam mais de 12% em obras de infraestrutura.
Educação
Na lenta corrida do nosso desenvolvimento, o País não está atrasado só em infraestrutura física, mas principalmente no investimento em pessoas pela educação. O Brasil tem potenciais industrial, comercial e até mesmo natural para se tornar, definitivamente, um País de ponta numa economia globalizada, desde que priorize a educação como um fator de desenvolvimento contínuo.
Podemos lembrar da Coreia do Sul como exemplo de investimento na educação, cujo programa de ensino nacional serviu de motor para o seu rápido crescimento econômico. Dessa forma, o País asiático se tornou um dos maiores exportadores de produtos manufaturados e de tecnologia de ponta, devido essencialmente à capacitação técnica de seus profissionais.
Já o nosso Governo Federal tem uma preocupação maior com investimentos no ensino superior, quando deveria também dar mais atenção e recursos ao ensino técnico, permitindo a rápida capacitação e inserção do estudante na vida profissional.
Oportunidades
Por outro lado, os Municípios brasileiros devem fazer parcerias com os Governos Estaduais, para expandir cada vez mais escolas técnicas no País, com o objetivo de garantir a formação profissional em grande escala, de acordo com as demandas regionais e locais.
Além disso, é indispensável capacitar gratuitamente a população que está em busca de uma oportunidade no mercado de trabalho ou que deseja ter seu próprio negócio, como ocorre no Estado de São Paulo, pelo Programa Via Rápida Emprego, com aulas nas escolas técnicas e em espaços adequados para o trabalhador.
Ainda que tardiamente o Governo Federal criou, em 2011, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, com o objetivo de aumentar a oferta de cursos de educação profissional técnica de nível médio e de formação inicial e continuada, presencial e a distância, auxiliando a inclusão social dos jovens do País.
Sem investimentos em infraestrutura e conhecimento, o Brasil pode até crescer, mas dificilmente alcançará o desenvolvimento econômico desejado, com a redução das desigualdades por meio da educação e a definitiva colocação do País no podium das nações desenvolvidas, com a melhoria da infraestrutura.