Editorial
Humberto Challoub

Jornalista e Diretor de Redação do Jornal Boqnews. Diretor da Faculdade de Artes e Comunicação da Unisanta

Priorizar o saneamento

Os investimentos em infraestrutura básica, notadamente os dirigidos à habitação e saneamento, mais do que nunca devem merecer a atenção prioritária das esferas governamentais

29 de abril de 2019 - 10:19

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Negligenciados durante décadas pelas administrações públicas, os investimentos em infraestrutura básica, notadamente os dirigidos à habitação e saneamento, mais do que nunca devem merecer a atenção prioritária das esferas governamentais, especialmente quando se constata que mais da metade da população brasileira não dispõem de redes convencionais para o fornecimento de água e coleta de esgoto.

Mais do que representar uma deficiência estrutural, a precariedade nessa área está diretamente associada aos indicadores de doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado, que resultam em óbitos que poderiam ser evitados e pelo aumento das demandas por internações hospitalares, sobrecarregando ainda mais o saturado sistema público de saúde.

Há, portanto, a necessidade premente de criação de mecanismos facilitadores mais efetivos para permitir o acesso da população às condições de habitabilidade satisfatórias. Há muito se sabe que os investimentos em infraestrutura sanitária realizados até aqui pelas administrações públicas e os planos de financiamentos habitacionais oferecidos às famílias de baixa renda são considerados modestos demais diante das imensas necessidades reveladas pelos muitos levantamentos estatísticos oficiais realizados até aqui para avaliar os níveis de qualidade de vida da população.

O descaso das autoridades públicas em relação a essa problemática conduziu a consequências desastrosas, geradas pela total ausência de planejamento adequado e pelos processos contínuos de expansão urbana desordenados. Pelo que se pode constatar, o adensamento das cidades resultou na acelerada e incontrolável ocupação de regiões de risco; em invasões de áreas imprescindíveis à preservação ambiental e, sobretudo, no estabelecimento de núcleos de pobreza extrema. Sabe-se agora que corrigir erros do passado não será tarefa fácil, porém é um dever do Estado que não pode ser mais negligenciado.

Enfatizar a geração de renda por meio da ocupação de trabalhadores em projetos voltados à melhoria das condições de vida da população, como habitação, saneamento e infraestrutura urbana é de fundamental importância e, por isso, deve estar entre as principais prioridades dos atuais governos, com a criação de frentes de trabalho, principalmente em segmentos que não exigem níveis elevados de especialização da mão de obra. É mais do que hora de ser adotar um novo modelo de desenvolvimento econômico e social para o Brasil, que passa pela melhoria das condições mínimas de vida da população.