Foto: Rogério Bonfim / PMS

Opiniões

16 DE SETEMBRO DE 2019

Questão de minutos

Por: Fernando De Maria

Era o último domingo de inverno deste ano.

Mas com temperatura de verão.

Ou de primavera, que se aproxima.

Os termômetros – mesmo ausentes há meses em razão de decisão judicial  – da paisagem da Cidade chegavam a 24,3°C , segundo o climatologista Rodolfo Bonafim.

Mas com sensação térmica bem maior por volta das 13h30 deste domingo (15).

Era, portanto, um dia típico para passeio em família, com sol, vento e calor.

Até que uma senhora passou mal e foi socorrida pelos familiares. Ali mesmo na areia da praia.

Carregada até o jardim junto aos quiosques no Canal 4, recebeu os primeiros socorros de familiares e banhistas.

Estava infartando.

Banhistas começaram a aglomerar, ligar para o Samu, Guarda Municipal e outros profissionais que pudessem ajudar.

A solidariedade prevalece na tentativa de salvar vidas.

Nestes casos, porém, o tempo é inversamente proporcional às chances de sobrevivência.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, casos com risco de vida devem ser atendidos em até 12 minutos.

 

10 minutos apenas

Conforme a prefeitura, foram 10 minutos até a chegada das 2 viaturas – uma de suporte básico e outra avançada, que chegaram às 13h56 após o chamado pelo telefone 192 (recebido às 13h46).

Segundo a Administração, a vítima recebeu todos os procedimentos necessários de reanimação por 23 minutos e veio a falecer dentro da ambulância próximo à chegada ao hospital particular conveniado ao seu plano de saúde.

Quem estava no local, porém, teve a clara sensação que este tempo de espera pelas viaturas foi bem superior.

Infelizmente, quando as ambulâncias chegaram, já era tarde.

O coração não aguentou.

Afinal, às 14 horas, a CET inicia a abertura da avenida da orla, fechada para a Rua do Lazer, entre as avenidas Ana Costa e Conselheiro Nébias.

E tal fato ocorreu bem depois que ambas as ambulâncias já haviam atendido a vítima.

E a levado embora. Provavelmente, como mera formalidade. Já era tarde. O coração não aguentou.

Portanto, os horários não batem.

A Prefeitura assegura que a Rua de Lazer não atrapalhou a chegada das viaturas.

Será?

 

Foto: Rogério Bonfim/PMS

Sem ambulâncias na orla

Não há garantias, é claro,  que se houvesse alguma ambulância ou unidade do Samu em algum ponto da orla da praia a vítima sobreviveria  – mas poderia ter uma chance.

Ainda que ínfima, mas teria.

Afinal, ficaria mais fácil o deslocamento de algum ponto mais próximo – principalmente aos finais de semana, quando aumenta o fluxo de pessoas – do que na base do Samu, localizada na Encruzilhada.

Não bastasse, apesar das negativas do Poder Público, como de praxe, o fechamento da avenida da orla limita a circulação de veículos de emergência, que ficam presos no trânsito, a despeito das sirenes ‘gritando’ em alto volume.

Vale lembrar que a cada minuto de demora, representa uma chance menor de sobrevivência.

De forma proporcional.

Chama a atenção, porém, que até hoje não há qualquer unidade de emergência para atender tais casos nesta região nobre do Município.

Tanto que a Prefeitura admite que “até o final deste ano, uma base do SAMU deverá ser inaugurada pela Prefeitura em parte da Ilha Criativa (na orla do Boqueirão) para beneficiar os atendimentos nesta região da Cidade, principalmente nos feriados e finais de semana, quando aumentam as ocorrências envolvendo munícipes e turistas”.

Ora, se a própria Administração reconhece a ausência de uma base do SAMU na orla, por que esperar até o final do ano?

Não seria mais fácil, ainda que de forma provisória, deixar uma viatura à disposição, assim como ocorre com um ônibus da Guarda Municipal estacionado em frente à Igreja do Embaré?

Afinal, a primavera bate à porta e as temperaturas tendem a subir, atraindo cada vez mais pessoas para curtir horas e momentos de lazer ao longo da orla.

E o coração não avisa quando irá falhar.

Enfim, ao que parece, isso não sensibiliza alguns dos nossos representantes.

Infelizmente.

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