Editorial
Humberto Challoub

Jornalista e Diretor de Redação do Jornal Boqnews. Diretor da Faculdade de Artes e Comunicação da Unisanta

Resgatar a credibilidade

O regime democrático brasileiro hoje se revela fragilizado diante das muitas decepções resultantes dos casos de improbidade

17 de julho de 2016 - 08:58

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A eleição do deputado Rodrigo Maia (DEM) para ocupar a presidência da Câmara Federal, após acirrada disputa envolvendo candidaturas que representam as muitas correntes políticas hoje existentes no Legislativo nacional, colocou fim ao ciclo de poder instituído pelo ex-presidente Eduardo Cunha (PMDB), retirado da função sob a acusação de atos de corrupção e de quebra de decoro parlamentar. Apesar da descrença da maioria dos brasileiros em relação às mudanças que poderão ocorrer com a escolha do novo presidente, Rodrigo Maia tem agora uma oportunidade ímpar para tentar recuperar a credibilidade da Casa, por meio de uma atuação que atenda efetivamente os reais interesses da população, sobretudo as demandas que há muito aguardam por decisões dos parlamentares.

Nesse sentido, mais do que restabelecer padrões éticos de conduta no cargo, espera-se do novo chefe do Legislativo uma postura pró-ativa na condução de projetos que ajudem na recuperação da economia brasileira e, principalmente, no restabelecimento de valores morais que ao longo do tempo foram desprezados pelas práticas corruptas e pelo total desrespeito às normas institucionais. Mesmo que enaltecido pelo respeito à Constituição e pelo ambiente de paz com que as destituições e substituições de importantes personalidades públicas têm ocorrido, o regime democrático brasileiro hoje se revela fragilizado diante das muitas decepções resultantes dos casos de improbidade praticados por quem na teoria deveria, por obrigação e respeito à população eleitora, manter conduta exemplar.

O histórico de complacência da Câmara com atos unilaterais do Governo e a corrupção endêmica tornaram difícil a crença sobre os reais propósitos dos deputados, ao mesmo tempo em que evidenciou a urgente necessidade de aperfeiçoamento do regime político vigente. Nesse sentido, mais do que nunca a reforma política deve ser tratada como prioridade por Rodrigo Maia, com a finalidade de reestabelecer o equilíbrio de forças e a proporcionalidade entre os poderes, reduzindo ao máximo a possibilidade das práticas de chantagem e de barganha políticas. Sabe-se que não se trata de tarefa fácil, porém é uma iniciativa desejada por todos e imprescindível para o resguardo da nossa jovem democracia.

Da mesma forma, é urgente a necessidade de inclusão na pauta de votações da Casa temas relevantes para ajudar o País a superar a crise atual, entre os quais incluem-se as reformas da Previdência Social, das leis trabalhistas e do sistema tributário, sem as quais o Brasil não conseguirá estabelecer um plano de metas de médio e longo prazo capaz de adequar o País às demandas internais e globais. Não obstante, o novo presidente deve assumir o compromisso de dar continuidade ao aprimoramento das leis de combate à corrupção, de forma a criar um novo paradigma que possa pôr fim à impunidade e à prática corriqueira dos crimes de lesa-pátria. Uma obrigação que, por certo, conta com total apoio da sociedade brasileira.