Vida & Prazer
Marcia Atik

Psicóloga clínica e terapeuta sexual e de casal

Ricos e pobres

11 de agosto de 2015 - 06:00

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Sabemos da importância do dinheiro na vida pessoal e na sociedade. É indiscutível. Acho importante falar sobre isso, pois podemos perceber nos consultórios de Psicologia que as dores de amores, culpas e traumas empatam em queixa com as dificuldades financeiras. Percebe-se que a importância do dinheiro vai muito além daquilo que ele pode comprar. Ele, o dinheiro, está presente em todos os momentos e necessidades de nossa vida. Além disso, muitas e muitas vezes ele está presente também nas nossas relações, influenciando-as substancialmente.

Independente de ter ou não uma conta bancária recheada, a forma de se lidar com o dinheiro pode dizer muito sobre a nossa maneira de ser e quais valores norteiam a nossa vida. Dinheiro e afeto estão intimamente ligados, pois a primeira coisa para se dar bem com o dinheiro é perceber que ele é uma energia de troca e, assim, como as relações afetivas, exige equilíbrio no fluxo do dar e receber.

Quem tem problemas financeiros certamente tem desencontros afetivos, pois isso mostra que as trocas estão descompassadas. Vale dizer que não sou tão romântica e alienada, sei que vivemos tempos bicudos cuja entrada de recursos, às vezes, não satisfaz as necessidades básicas dos indivíduos. Contudo, administrar a carência também exige uma atenção na troca de energia e afetos envolvidos.

Quando falo que as dificuldades afetivas mostram sua cara na maneira como lidamos com nossos recursos financeiros quero também ressaltar que essa relação afetiva não precisa ser necessariamente com o outro, mas pode ser e – na maioria das vezes é – em relação a nós e nossos desejos. Diria sem medo de errar que não somente o trabalho e as heranças que geram dinheiro, mas essencialmente os pensamentos e desejos que temos a respeito dele.

Quem nunca ouviu uma história de alguém que herdou uma fortuna ou ganhou na loteria e, depois de um tempo, perdeu tudo? Seria apenas uma malversação do dinheiro? Duvido muito. E aquela história do catador de ferro velho que enriqueceu juntando os trocados?

Também é verdade que nem sempre somos culpados, mas existem crenças que atrapalham, emperram o fluxo natural do nosso dinheiro e estão arraigadas na cultura colocando o dinheiro como inatingível. Atire a primeira pedra quem nunca disse alguma frase do tipo: ‘É muito difícil ganhar dinheiro! Tem que se matar de trabalhar para sobreviver!’, ‘Devemos economizar para na hora da dor e da velhice não estarmos desamparados’ e por aí vai.

Claro que se analisarmos uma a uma, essas assertivas tombarão por terra, mas no hábito não há análise racional. O que há embutido em todas essas crenças? Que os ricos vão para o inferno? Que o reino dos céus é dos pobres? Que devemos poupar para a dor e não para os sonhos e para o prazer?
Partindo desse raciocínio como fica brochante ter dinheiro! E, naturalmente, o indivíduo fica sem potência para ganhá-lo ou mantê-lo.

A melhor maneira de se libertar disso é perceber qual é o obstáculo particular para se realizar financeiramente, porque uma mudança do padrão de pensamento é fundamental para entrar no fluxo da abundância, ter muito mais prazer com o que se ganha e recebe do que com o que gasta e dá, buscando equilíbrio entre esses aspectos.

Existem cinco leis com ações fundamentais para auxiliar neste processo: ganhar, gastar ou negociar; fazer circular; poupar tendo em mente os sonhos e investir com pouco risco. Meus leitores diriam: se é tão simples porque tanta gente tem dificuldades para lidar com dinheiro e existem tantas mazelas no mundo por conta disso? Sabermos nos separar da onda consumista – e realmente ter aquilo que desejamos – e investir nisso é uma boa maneira para começar esse trabalho nada hercúleo de ficar rico, se não de dinheiro, mas de abundância de sonhos, realizações e alegria de viver e desejar mais.