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25 DE FEVEREIRO DE 2022

Rússia, Ucrânia e o mundo

Rafa Zimbaldi

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Os bombardeios da Rússia no território da Ucrânia e depois a invasão surpreenderam todo o mundo em uma total e desnecessária ação militar que se pauta na busca pela manutenção do poder do presidente russo, Vladimir Putin.

Ele alega que toda essa ofensiva tem como objetivo proteger os civis de etnia russa em Donetsk e Luhansk cuja independência ele reconheceu na segunda-feira (21).

De fato, a alegação de Putin é descabida e não justifica a ofensiva contra a Ucrânia, um país desproporcionalmente menor em todos os aspectos, e no caso de um conflito armado, tem um Exército com soldados da ativa quase quatro vezes mais reduzido e armamento e tecnologia inferiores ao poderio de fogo russo.

A Ucrânia equivale ao Estado de Minas Gerais e a Rússia mede duas vezes o Brasil. O Exército da Ucrânia tem 250 mil soldados na ativa e mais 250 mil na reserva. O Exército da Rússia tem 900 mil soldados na ativa.

De volta aos motivos que levam a Rússia a invadir a Ucrânia, está claro que o combustível para isso é a insatisfação de Vladimir Putin com o alinhamento ucraniano voltado para o Ocidente e não à Rússia, a potência do Leste Europeu que mantém sua influência sobre alguns países que pertenciam à antiga União Soviética.

Já o lado ocidental ou oeste da Ucrânia é influenciado, claro, pelo ocidente e tem costumes muito diferentes do lado leste.

Para Putin, o fato de a Ucrânia dar basicamente as costas ao Kremlin e buscar se fortalecer junto à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) ou à União Europeia é uma expressão que ele entende que deve ser oprimida com força militar, como lamentavelmente vimos na madrugada desta quinta-feira.

A ofensiva, com o argumento de proteger civis de etnia russa do lado leste da Ucrânia e que tem suas raízes culturais, religiosas e históricas fortemente plantadas na Rússia é, repito, fora de questão.

Afirmo, ainda, com toda segurança que a ofensiva russa tem foco na geopolítica mundial, que tem de um lado a Rússia, Estados Unidos, a União Europeia e no meio desse fogo cruzado a pequena Ucrânia, que serviria para Putin estrategicamente para frear uma investida militar dos seus “inimigos” do Ocidente.

Os efeitos para o Brasil numa grande guerra no Leste Europeu são certo porque a nossa economia é globalizada e a Rússia é um importante exportador de petróleo e isso, claro, empurraria para cá os respingos da guerra. Do outro lado, o Brasil tem assento no Conselho de Segurança da ONU e isso o obriga a ter um posicionamento firme dentro do grupo em relação à crise Rússia-Ucrânia.

Ao redor do mundo, líderes europeus condenaram a ação russa e declararam embargos econômicos. A China, por sua vez, apenas pediu diálogo em torno da questão.

Em Brasília, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu nesta quinta-feira uma nota à imprensa em que afirma que o governo brasileiro apela à suspensão imediata das hostilidades e ao início de negociações assertivas à uma solução diplomática para a questão.

 

Rafa Zimbaldi é deputado estadual pelo PL e graduando em Relações Internacionais pela Uninter.

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