Ponto de vista
Saber ouvir as urnas
Humberto Challoub
De volta às urnas neste domingo (25), os eleitores brasileiros terão a responsabilidade de escolher, entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), a forma de condução do País pelos próximos quatro anos.
Com o encerramento de uma campanha eleitoral marcada por trocas de acusações, agressões e excessivamente centrada no personalismo dos candidatos, o resultado a ser apurado das urnas – seja qual for o escolhido – exigirá do futuro mandatário reconhecer o desejo de mudanças profundas manifestado pelos eleitores no primeiro turno, refletida na nova composição política do Congresso Nacional para a próxima legislatura.
Deixando de lado as discussões de maior relevância para o futuro da sociedade brasileira, os dois candidatos à Presidência limitaram-se à utilizar as estratégias de marketing eleitoral dirigidas à desconstrução da imagem do oponente e à apresentação de propostas com maior apelo junto ao eleitorado.
Assim, temas essenciais como a formação de uma política consistente de educação, de segurança e saúde pública foram tratados com superficialidade, com a apresentação de planos paliativos desprovidos dos fundamentos necessários para garantir soluções definitivas aos problemas que afetam esses setores há décadas.
Preferiu-se as questões genéricas, o debate sobre a moral e costumes com ênfase às picuinhas, em detrimento às temáticas que hoje têm maior relevância e, por isso, exigem a revelação de princípios éticos, competência, visão estratégica e, sobretudo, demonstração explícita de retidão de caráter.
Não haveria de se esperar por soluções mágicas ou milagreiras, mas sim por iniciativas exequíveis erguidas em bases conceituais consistentes e introduzidas no tempo exigível para a efetiva conquista de resultados positivos.
Preferiu-se as questões genéricas, o debate sobre a moral e costumes com ênfase às picuinhas, em detrimento às temáticas que hoje têm maior relevância e, por isso, exigem a revelação de princípios éticos, competência, visão estratégica e, sobretudo, demonstração explícita de retidão de caráter.
Seja Lula ou Flávio Bolsonaro, ao vencedor caberá a tarefa de resgatar a altivez do cargo que lhe será conferido, agindo para unir propósitos e objetivos, por meio de ações pacificadoras que permitam reconquistar a confiança e o respeito de todos os brasileiros.
O País somente conseguirá alcançar o desenvolvimento almejado com a união de propósitos e a superação das divergências políticas, que deveriam ficar restritas aos períodos eleitorais.
Por sua vez, cabe ao eleitor o entendimento de que o exercício de cidadania sobrepõe o simples ato de comparecimento às urnas.
O papel de agente participativo e fiscalizador deve ser cumprido de forma efetiva e contínua, afim de exigir a execução do que lhe foi prometido e, principalmente, para condenar a prática cotidiana da corrupção e do fisiologismo que ameaça de forma permanente nossa democracia.