Gabriel Pierin

Gabriel Pierin criou o Era uma vez em Santos... nasceu como uma ideia, virou um projeto e será sempre uma obra inacabada. Resgatar e preservar a memória da cidade é um compromisso de todos aqueles que amam Santos, sua história e suas pessoas. Afinal, cada pessoa, cada lugar, tem sempre uma história para contar.

Santos Foot-Ball Clube – A História da Fundação

14 de abril de 2019 - 09:55

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No dia 09 de abril de 1912, o jornal Diário de Santos publicou um anúncio no qual suas proféticas palavras não tardariam a cristalizar-se: “Vários sportsmen desta cidade estão empenhados em organizar um poderoso club de football”. A motivação justificava-se: o futebol andava esquecido entre os jovens da cidade.

“Era já sensível a falta, entre nós, de um bom clube dedicado ao bello sport do football. Acreditamos que o novo clube venha preencher essa lacuna”, destacava o anúncio. O fato é que a comissão organizadora, formada por Mário Ferraz, Raymundo Marques e Argemiro de Souza Junior, já havia percorrido o alto comércio e convidado mais de duzentos jovens para a nova agremiação e conseguido a primeira conquista para o novo clube: “um vasto e esplendido terreno de propriedade do sr. J. D. Martins, à rua Aguiar de Andrade, no Macuco, onde será instalado o ground da nova sociedade esportiva”, concluía o anúncio.

No contexto da fundação do Santos Foot-ball Club, o quadro político da cidade era composto por algumas personalidades que viriam a fazer parte direta e indiretamente do Santos. O prefeito da época, Belmiro Ribeiro de Moraes e Silva, curiosamente iria se perpetuar na memória do clube, emprestando seu nome ao antigo bairro da Vila Operária, popularizando a casa do Santos como Vila Belmiro e, como alguns cronistas gostam de chamar, “a vila mais famosa do mundo”.

As bases do novo clube seriam delineadas na reunião do dia 14 de abril de 1912, um domingo, às 14 horas, na sede do Club Concórdia, à rua do Rosário 18, atual João Pessoa n˚ 10.

Naquela tarde, Raymundo Marques, ao abrir a sessão da assembleia de fundação, fez considerações sobre a situação do futebol e do objetivo da reunião em fundar um clube destinado ao esporte. Todos os presentes concordaram com Raymundo Marques. Em sua maioria, jovens estudantes e empregados no comércio, desejosos em participar de um clube destinado à prática do esporte bretão.

Com a presença de 39 pessoas, foi escolhida a diretoria, a primeira da história do clube. Sizino Collatino Patusca, um dos baluartes do S.C. Americano, embora ausente à reunião, foi aclamado presidente. George P. Cox, membro do Clube XV, vice-presidente.

Um dos assuntos da pauta foi a escolha do nome da nova agremiação. Raymundo Marques abriu os debates, solicitando sugestões dos presentes. O nome África Football Club foi pronunciado, mas a proposição, rejeitada. “Associação Esportiva Brasil” foi lembrada por alguém e apesar de agradar a outros, não foi aceita. Associar o nome do clube ao país não é de bom tom, justificaram os opositores. Raymundo Marques deu prosseguimento.

“Concórdia FC”, opinou Alvaro de Barros Fontes. Concórdia era o nome do clube que cedeu o salão onde a reunião estava sendo realizada. Era uma gentil homenagem ao clube anfitrião. Mas, se ele já existia, não havia razão para criar um novo. Raymundo Marques tornou a solicitar sugestões.

É quando a voz de Edmundo Jorge de Araújo se fez ouvir no fundo da sala: “Por que não chamamos o nosso clube de Santos, Santos Foot-ball Club?”. Após um breve silêncio, uma salva de palmas tomou conta por todo o salão. Raymundo Marques nem precisou colocar em votação. Transformando palmas em palavras, decretou: “Meus senhores! Acaba de ser fundado o Santos Foot-ball Club”.

Era o entardecer do dia 14 de abril de 1912. Estava fundado aquele que viria a ser o maior clube de futebol da cidade e que, exatos cinquenta anos depois, se tornaria o primeiro clube brasileiro campeão mundial.

No dia seguinte, quinze de abril de 1912, o jornal A Tribuna de Santos noticiava: “Santos Football Club com o nome supra acaba de ser fundado nesta cidade, um clube de football destinado, por certo, a uma vida longa e plena de vitórias, para o que conta com os melhores elementos desta terra.

Eis a sua primeira diretoria: Presidente, Sizino Patusca; Vice, George P. Cox; 1º Secretário, José Guilherme Martins; 2º, Raul Dantas; 1º Tesoureiro, Leonel Silva; 2º, Dario Ferraz da Frota. Diretores: Augusto Bulle, João Carlos de Mello, Henrique Cross, Raymundo Marques, Cícero F. de Lima Junior e Camyro Faeter”.

Ao final da notícia, havia um trecho que se tornaria, mais tarde, em um valioso detalhe de teor histórico: “Cores do novo clube: Branco e azul, com um friso amarelo entre as duas cores”. Apenas na 3ª Seção da Diretoria, em 31 de março de 1913, as cores do uniforme foram alteradas para calção branco e camisa com listras brancas e preta