Ponto de vista
Semana de 11 a 17 de fevereiro
“Não há nenhum amigo que não possa virar inimigo e nenhum inimigo que não possa virar amigo”
Getúlio Vargas, ex-presidente do Brasil
Deu Beto outra vez
Viraram tabus as vitórias do deputado federal Beto Mansur (PP) em suas disputas contra o PT. Desta vez, Mansur conseguiu aprovar as contas da Prefeitura de Santos de 2003, período quando foi prefeito, na Câmara de Santos na última segunda-feira (6). Para tanto, conquistou 12 votos entre os 17 legisladores. Número que necessitava. E, quem diria, houve legislador petista votando a favor de Mansur, inimigo juramentado do PT. Trata-se do suplente Arnaldo Correa Neto, que assumiu a vaga de Adilson Júnior, por ter se machucado justamente no dia da votação e pediu afastamento por 15 dias. Correa Neto não votou conforme a orientação do partido, revoltando a vereadora Cassandra Nunes.
João sem braço
Desde segunda-feira (6), quando houve a votação, uma série de suspeitas e de questionamentos estão sendo levantadas dentro do PT. A primeira delas envolve o vereador Adilson Júnior, que quebrou o braço em um acidente com uma bicicleta e teve seu afastamento solicitado pelo médico Enrico Di Vaio. Suspeitam que Adilson deu uma de João Sem Braço para não participar da votação.
Braço vai pra quem?
Adilson Júnior é radialista e funcionário da Rádio Cultura, da família Mansur. Sua suplente direta é a Professora Rose, que trabalha no gabinete de Adilson Júnior e optou por não ocupar a vaga. O próximo seria o presidente do partido, o professor Cecílio Mello, que estava afastado por motivo médico, e não achou ético assumir a vaga.
Não sabia?
Foi Cecílio Mello quem ligou para Arnaldo Correa Neto pedindo para assumir a vaga de Adilson Júnior. Na ocasião, ele desconhecia que o policial disputou uma cadeira na Câmara dos Deputados em 2010 pelo PTB. Os militares não podem ser filiados a partidos. Agora, em decisão do diretório, o PT vai à Justiça tentar anular a seção alegando que o suplente, convocado pelo presidente do partido, já tinha saído da legenda.
Sherlock Holmes
Mais um caso para o detetive Sherlock Holmes resolver. Trata-se do atestado médico apresentado pelo vereador Adilson Júnior no seu afastamento da Câmara. O edil disse que foi atendido em São Vicente. Porém, o atestado apresentado foi emitido em papel timbrado do Hospital São Luiz, em São Paulo. E a data expedida no atestado pelo médico Enrico Di Vaio faz referência à Cidade de Santos.
Lamento
A vereadora Cassandra Maroni Nunes (PT) lamentou o pedido de afastamento de Adilson Júnior no Facebook. Em comentário com o advogado Roberto Mohamed, ela disse que o vereador Braz Antunes (PPS) deixou o pai no leito de morte para cumprir seu compromisso, enquanto seu companheiro de partido não pode ir em razão de um braço enfaixado.
Golpe socialista
O vereador Valdir Nahora foi outro que não seguiu a orientação do diretório de seu partido, o PSB, presidido por seu único colega da legenda em plenário, Benedito Furtado. Nahora apresentou um documento do TRE afirmando que o diretório estava dissolvido e que não tinha que cumprir a orientação, já que ele não tinha valor legal. Furtado ficou irritadíssimo. Nahora foi punido, perdendo a liderança do PSB na Câmara.
Pipocou?
Ninguém entendeu o porquê que o presidente do PRP santista, Manoel Monteiro, não ficou para a coletiva de lançamento da coligação de oito partidos em torno da pré-candidatura a prefeito do PMDB, encabeçada pelo secretário de Assuntos Portuários e Marítimos, Sérgio Aquino. Terá sido pressão do diretório estadual da legenda, aliado do governo Geraldo Alckmin?
Saudade
Esse colunita lamenta o falecimento do ex-presidente da Câmara, Nelson Antunes Mattos, pai do atual vereador Braz Antunes. Nelson foi amigo deste jornalista e um grande professor de política, que sempre buscou a negociação para solução de problemas. Fica a saudade!
Reconhecimento
O prefeito João Paulo Tavares Papa (PMDB) reconheceu que faltou dar mais espaço ao PCdoB em seu governo. Disse que deve o apoio do partido, conquistado quando completou 100 dias como prefeito. Papa diz que o partido abriu as portas do Governo Federal para a Prefeitura, por meio de Aldo Rebelo, e faz um trabalho fantástico na lavanderia popular.
Aqui não
O presidente do DEM santista, Luciano Cascione, em resposta às colocações do policial militar e pré-candidato a vereador Sérgio Santana na última edição, afirma que quem manda no partido na Cidade é ele. Cascione explica que a vontade de Santana é mesmo retornar ao DEM, partido por onde militou até 2008, quando optou por tentar a vereança no PV, por entender que se eleger pelo DEM será mais fácil. Há quatro anos, Cascione pediu a Santana para não sair do DEM e ajudá-lo a reconstruir o partido.
Aqui não II
Por causa dessa conversa, Santana tentou entrar no DEM via PSDB, por meio do diretor da Agem, Marcos Adegas, já que Cascione ocupa cargo na mesma agência. Ele ouviu de Adegas que ele teria que tratar o assunto com Luciano Cascione, que por sua vez acha difícil recebê-lo de volta por entender que a chapa de vereadores está completa e seria uma traição aos pré- candidatos. Em contato com a coluna, Santana confirma que seu desejo é mesmo retornar aos Democratas.
Quem responde?
Quem…
são os maiores beneficiados com a ingerência de diretórios estaduais de partidos políticos em seus diretórios em Santos?