Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

Ser ou não ser humilde

14 de outubro de 2011 - 17:51

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Muitos especialistas e líderes, independente do nível de experiência, têm uma visão distorcida sobre o verdadeiro significado da humildade. Acreditam de maneira equivocada que a humildade é um sinal de fraqueza e atrapalha o exercício da liderança por representar falta de firmeza e controle do líder. Acham também, que sua aplicação adequada e a interação eficaz nunca se encontram… Nada mais errado…


O convívio saudável entre as pessoas não pode prescindir da humildade positiva. Esta consiste no equilíbrio entre a subserviência e a arrogância, características extremamente prejudiciais no relacionamento. A subserviência – excesso de humildade – ocorre quando a pessoa possui baixa autoestima e quase nunca emite sua opinião por medo da desaprovação alheia. O profissional que usa a humildade com exagero é considerado como um “zé ninguém” pelo líder, colegas e mesmo sua família, não sendo respeitado por não saber se impor na medida e hora certas.


A arrogância – falta de humildade – é o grande mal daqueles executivos “de sucesso”, que não conseguem administrar o próprio ego e se julgam sempre melhores do que os outros. São pessoas que não se preocupam em saber ouvir por acharem que não têm nada a aprender. Deixam-se conduzir pelo paradigma que nunca aprenderão nada dos profissionais com menor nível intelectual que eles, muito jovens ou muito idosos, com menor experiência ou formados em faculdades de “segunda linha”.


O indivíduo que não se deixa dominar pela soberba, direciona as necessidades de seu ego para longe de si. Ele não gosta de aparecer e não tem ambições para pregar seus sucessos aos quatro ventos. Prefere canalizar sua ambição para o próprio desenvolvimento, de sua equipe e da empresa.


As pessoas devem sempre manter sua autocrítica em relação ao nível de humildade utilizado e evitar os pólos negativos da escala “subserviência/arrogância”, buscando o equilíbrio do meio termo. O relacionamento interpessoal eficaz, tanto no campo pessoal como profissional, tem como ponto chave a prática de comportamentos voltados à humildade positiva.


Quando alguém se vangloria de ter humildade, na realidade não a tem. O verdadeiro humilde não precisa falar com os outros sobre a importância dessa virtude. Para ele basta a consciência de saber usar a humildade com sabedoria e sem alarde. Ser humilde positivamente é manter a autoconfiança em sua capacidade, sem escorregar para o estereótipo do “dono da verdade” ou então resvalar para o princípio do “agradar a todos”.


Sem a prática da humildade, como reconhecer os seus erros? Como acreditar na competência dos outros? Como compartilhar o conhecimento? Como respeitar os colegas? Como fazer críticas construtivas? Como evitar o “eu”, enfatizando o “nós”? Alguém já disse “para tratar bem os outros enquanto estiver subindo, pois poderá encontrá-los quando estiver descendo”…


O verdadeiro desafio e resposta ao título deste artigo é praticar a humildade na medida certa, procurando respeitar o próximo sem macular o respeito a si mesmo.