Vida & Prazer
Marcia Atik

Psicóloga clínica e terapeuta sexual e de casal

Sexting

Lá no fim do século passado se discutia muito sobre a erotização precoce das crianças, por meio de roupas, danças e isso foi alvo de muita discussão

22 de setembro de 2015 - 18:00

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Lembro-me que lá no fim do século passado se discutia muito sobre a erotização precoce das crianças, por meio de roupas, danças e isso foi alvo de muita discussão, debate até que de certa forma a sociedade incorporou a discussão e as coisas adquiriram um equilíbrio.

Tudo o que assustava pais preocupados era de certa forma público, aparente e de fácil percepção e consequente resolução.

Nesse ínterim a sociedade evoluiu, em necessidades em violência e os telefones celulares que eram tão criticados quando em mãos infantis hoje também estão incorporados na vida familiar, social e até escolar, necessidade mesmo.

Mas aí surgiu um novo desafio para pais e educadores e quando pensávamos já ter controle de todos os riscos aos quais nossos filhos e netos estão expostos surge o tal do sexting.

Haja coração!!!
Hoje, quando o sinal do intervalo dispara e um grupo de alunos deixa a sala de aula para colocar em dia a conversa com os colegas, muitos têm algo bem mais picante para mostrar no visor do celular.

O que os excita são as cenas de adolescentes nuas ou praticando sexo. Não se trata de cenas baixadas da internet, mas gravadas por colegas e distribuídas por tecnologias a que todo celular hoje em dia tem acesso.

O fenômeno de fotografar ou filmar a si próprio em momentos de intimidade e transmitir as imagens por celular nasceu nos Estados Unidos, onde é chamado de sexting – neologismo que une sex (sexo) e texting (a troca de mensagem de texto pelo telefone).

Em pouco tempo, a mania se espalhou como vírus.

O sexting é mais comum do que imaginam os pais. As histórias nem sempre têm desfecho inocente – a brincadeira que costuma oscilar entre a travessura e a pornografia está virando um problema para pais e os próprios adolescentes com consequências muitas vezes dramáticas.

No Brasil, ainda não há dados sobre a extensão do fenômeno, mas como tudo que pega lá fora o povo tupiniquim acha que é novidade, vale a pena conhecer, para cuidar e coibir.

Pais: atenção às fotos que seus filhos postam, que começam com uma inocente barriguinha de tanquinho e depois a curiosidade e a voracidade fica descontrolada.