Panorama Regional
Fernando De Maria

Sinal amarelo

13 de fevereiro de 2014 - 15:34

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O calor  intenso que persiste em boa parte do País preocupa até as autoridades políticas, que temem eventuais efeitos negativos  no corte do fornecimento de água à população. Reportagem publicada no jornal Folha de S. Paulo na terça (11) revela que o governador Geraldo Alckmin tem em mãos um estudo que aponta que somente em um mês haverá chuvas volumosas no sistema Cantareira, que atende 10 milhões de pessoas na Grande São Paulo.
Conforme a reportagem, mesmo com as chuvas que devem começar no final de fevereiro, os reservatórios do sistema deverão estar em situação crítica em abril, quando começa o período da seca de fato. O motivo é claro: nos últimos dois anos choveu menos que a média na região Sudeste, afetando o abastecimento. 
O sistema Cantareira, que também abrange a região de Campinas, opera hoje com 18,7% de sua capacidade. Até o momento, choveu apenas 6% da média histórica para o período no mês de fevereiro. Para se ter ideia da queda contínua da reserva de água, no último dia de janeiro o sistema tinha 22,2% de sua capacidade abastecida. Não é à toa que cidades como Itu, Vinhedo e Valinhos entraram no rodízio
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Apesar da região também sofrer as consequências da falta de chuvas, a Baixada Santista, porém, é privilegiada e o cenário está bem distante  em relação aos municípios abastecidos pelo Cantareira. 
Conforme a Sabesp, em janeiro, quando a média histórica de chuvas é de 256 milímetros na região, os índices pluviométricos chegaram a 171 milímetros (1/3 a menos). Cenário ruim, mas não desesperador.
Por sua vez, o consumo excessivo tem preocupado a Sabesp. A região tem registrado um gasto médio de 350 litros de água tratada por habitante/dia, o triplo do recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que estima em 110 litros diários como suficientes para higiene pessoal, hidratação e alimentação.
O gerente do Departamento de Desenvolvimento Operacional da Sabesp na Baixada Santista, engenheiro Andrenandes Sincerré Gonçalves, informa que hoje não há risco de racionamento de água nos nove municípios da Baixada Santista, ao contrário do que já ocorre em algumas cidades paulistas. Isso, no entanto, não é o passaporte para continuar consumindo à vontade.
“Estamos com o sinal  amarelo aceso”, reconhece. “Se todos fizerem sua parte, passaremos por este período de falta de chuvas com mais tranquilidade”, ressalta, lembrando os cuidados para economizar, como diminuir o tempo no banho, entre outros exemplos. A empresa massificou nos meios de comunicação sua campanha de consumo consciente.
A Baixada é privilegiada, pois conta com 53 reservatórios, que garantem 300 milhões de litros de água ao público, captados por rios que cortam a região e reservas. Além disso, junto à subida do Morro do Marapé, há um dos maiores reservatórios da América Latina, com capacidade para 110 milhões de litros, garantindo o abastecimento para Santos, São Vicente, Guarujá e parte de Praia Grande. 
Portanto, o cenário preocupa, mas não estamos à beira do caos. Se cada fizer sua parte, com consciência e atitudes cidadãs, lembraremos deste verão com  um dos mais quentes da história, mas marcados por momentos de lazer e não de carestia.