Ponto de vista
Sistema eleitoral degenerado
Humberto Challoub
A considerar o transcurso de pleitos recentes e os acontecimentos que marcaram até aqui as eleições deste ano, uma certeza está mais do que evidenciada: a urgente necessidade de realização de mudanças substanciais no sistema eleitoral brasileiro, diante das muitas imperfeições e contradições que o atual processo apresenta.
Desde as regras de formação e financiamento dos partidos, da escolha das candidaturas e os limites de atuação e permissividade da Justiça Eleitoral, a disputa pelos eleitores brasileiros se transformou em um vale tudo, um campo hostil que se tornou fértil às fake news, ao abuso de poder, aos discursos de ódio e à ingerência sistêmica e tendenciosa de membros do judiciário.
Da mesma forma, o atual sistema não tem favorecido a discussão de questões relevantes e fundamentais para o futuro da Nação, como o equilíbrio das finanças públicas, o combate ao crime organizado, e as reformas do Estado e do sistema político institucional.
Ao contrário, elas têm ficado à margem do processo, favorecendo assim a omissão dos candidatos e restringido o debate público a temas comportamentais e morais. Ao invés de estabelecer um ambiente de proposituras, o que se vê é a utilização de estratégias baseadas no denuncismo oportunista, acusações levianas como o propósito de comprometer e desconstruir a imagem de opositores.
O atual sistema não tem favorecido a discussão de questões relevantes e fundamentais para o futuro da Nação, como o equilíbrio das finanças públicas, o combate ao crime organizado, e as reformas do Estado e do sistema político institucional.
Daí o que se viu ao longo do tempo de vigência do regime democrático, foi a proliferação da corrupção e perpetuação de maus políticos que, agindo em causa própria, tornaram mais distantes as soluções dos principais problemas enfrentados pela coletividade.
Cobrar o aprimoramento do sistema vigente, é bom que se ressalte, não representa um atentado ao estado democrático de direito, mas sim justificar um regime que, na prática, tem produzido poucas vantagens à população.
Assim, é mais do que justo considerar que o atual cenário de descrença suscita o questionamento sobre a real serventia de se manter um modelo político e institucional nos moldes em que ele está concebido, especialmente quando considerado o seu custo e os benefícios reais que tem proporcionado à sociedade brasileira.
Afinal, o que se espera dos candidatos é que, ao invés de dedicar esforços retóricos a ataques mútuos e ações eleiçoeiras, estabeleçam de forma clara, transparente e objetiva seus planos de governo, para que a sociedade possa conhecer em detalhes os projetos voltados a eliminar as carências conhecidas.
A democracia requer ética, transparência e galhardia, sem as quais restarão apenas incertezas resultantes do ódio e da ojeriza comuns às práticas autoritárias.