Ponto de vista
Aprimorar o sistema eleitoral
Humberto Challoub
Com o ingresso no período que restringe ações que caracterizem publicidade eleitoral antecipada nos três meses que antecedem as eleições marcadas para outubro próximo, os espaços para o aprofundamento das discussões envolvendo os grandes temas de interesse do País se tornam ainda mais restritos.
Questões que mereceriam maior atenção por representar caminhos para a solução dos principais problemas nacionais acabam, pela complexidade e pouco interesse midiático, subjugados pelas fake news, pelo denuncismo e às práticas populistas inebriadas pelo desejo do poder a qualquer preço.
Apesar das inúmeras experiências extraídas pelo amadurecimento do processo democrático brasileiro, os métodos e práticas políticas utilizadas têm se revelado as mesmas, ou seja, dissimuladas, oportunistas e, por vezes, apelativas pelo desprezo aos valores éticos e morais.
O processo em curso mais uma vez evidencia a urgente necessidade premente de realização de uma ampla reforma política, a partir da revisão dos conceitos que conceberam o sistema vigente, especialmente os que atribuíram a necessidade de supervalorização dos partidos e os que embasaram critérios de proporcionalidade e representatividade.
É preciso reconhecer os equívocos do regime atual, que resultaram no desprezo à ideologia e à fidelidade partidária, favorecendo o surgimento de candidatos de última hora totalmente desvinculados dos ideários programáticos e doutrinas dos partidos por meio dos quais pretendem ser eleitos.
Apesar das inúmeras experiências extraídas pelo amadurecimento do processo democrático brasileiro, os métodos e práticas políticas utilizadas têm se revelado as mesmas, ou seja, dissimuladas, oportunistas e, por vezes, apelativas pelo desprezo aos valores éticos e morais.
Diante deste cenário de mazela política proliferaram, ao longo das últimas décadas, apenas os interesses particulares e dos segmentos que buscam dividendos econômicos às custas dos recursos públicos, por meio do estabelecimento de lobbies e do fomento às práticas corruptas.
Sem uma efetiva participação e mobilização da sociedade civil, por meio das associações e entidades de classe, dificilmente será possível alterar o quadro atual.
A participação nos regimes democráticos exige do cidadão muito mais do que somente o exercício do voto, caso se almeje realmente o progresso e as melhorias sociais que eles podem produzir.
Retóricas populistas e prosopopeias que permeiam discursos dos políticos têm servido tão-somente para desviar a atenção de questões prementes, que já não podem mais ter suas resoluções adiadas sob o risco de ocorrência de ruptura institucional, cujo resultado não interessa a ninguém, sobretudo a quem ainda necessita contar com a assistência do Estado.