Tecnologia que assusta | Boqnews

Ponto de vista

22 de agosto de 2016

Tecnologia que assusta

Muitas pessoas acima dos 30 anos devem se lembrar das brincadeiras de infância mais conhecidas, tais como esconde-esconde, pega-pega, pular corda, lobo mau, polícia e ladrão e tantas outras que fizeram e hoje pouco fazem a diversão de rua de muitas crianças.

Brincar na rua era pura diversão, uso da criatividade, do esforço físico e da imaginação, que fazia com que a alegria de várias crianças se juntasse em um único mundo. Muita coisa mudou, e o que era pura realidade hoje se limitou a um passar de dedo na tela de cristal líquido de um smartphone. Mais precisamente, na caça aos Pokémons, aplicativo que virou febre mundial e que chegou ao Brasil recentemente, com grande adesão de crianças e jovens.

Os Pokémons foram lançados há quase 20 anos. O nome vem de poket monster, ou seja, monstrinhos de bolso. Foi desenho animado, videogame e só agora chegou aos celulares. Os monstrinhos virtuais aparecem na tela em cima das imagens captadas pela câmera do celular. O objetivo do jogo é encontrar e capturar o máximo de monstrinhos possível.

Perigos
Não digo que os eletrônicos atuais foram responsáveis pelo surgimento de uma geração preguiçosa e pouca adepta a conhecer o mundo lá fora. A televisão, inventada nos anos 20, já era uma ferramenta eletrônica que prendia o telespectador dentro de casa. E o vídeo-game, cada vez mais moderno, também ajudou a promover esse distanciamento social.

A caça ao Pokémon é a mais nova diversão eletrônica que também preocupa as autoridades públicas. O jogo usa a tecnologia da realidade aumentada, que combina realidade e mundo virtual. E essa distração causada pelo jogo aumentou e tem causado acidentes e até crimes.

Não são poucas as notícias pelo mundo de jovens atropelados em avenidas em busca de um Pokémon. Também já não é novidade que no Brasil os bandidos estão se aproveitando da distração dos jogadores de Pokémon Go para caçar alguns celulares.

Saúde
A Academia Norte Americana de Pediatria, em recente pesquisa, atestou que crianças de 3 a 5 anos devem ter acesso restrito à tecnologia uma hora por dia, e de 6 a 18 anos, no máximo, 2 horas. Mas as crianças e jovens atualmente usam a tecnologia em quantidade 4 a 5 vezes maior do que a recomendada, que podem resultar em consequências graves como atraso no desenvolvimento e capacidade de aprendizagem escolar, obesidade, agressão e déficit de atenção.

Os pais devem, portanto, saber dosar essa interatividade virtual, tirando um tempo livre para que a criança possa brincar ao ar livre, praticar esportes, correr e pular. Os eletrônicos vieram, com certeza, para facilitar a vida de todos, mas é possível também – e indispensável – se divertir sem tecnologia.
*Celso Évora – Interino

Da Redação
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