Vida & Prazer
Marcia Atik

Psicóloga clínica e terapeuta sexual e de casal

Todo dia é dia D

Quem não namora todos os dias realmente não merece o dia dos namorados

11 de junho de 2016 - 18:00

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Diferentemente dos dias em que se comemoram as mães, os pais, as avós e as crianças, no Dia dos Namorados eu creio que seja ainda mais desnecessário que se faça algo de especial. Não pensem que por isso eu não seja romântica ou não valorize os amores, pelo contrário: é que nesse aspecto em especial, quem não namora todos os dias realmente não merece o dia dos namorados.

Por isso, quero escrever para jovens com namorado, casados há muito ou pouco tempo e até para quem não tem namorado sobre o namorar. Tenho debatido muito, seja em palestras ou no consultório, a necessidade de se resgatar o namoro, aquele em que se usava o tempo para conhecer o outro e fazer ajustes na relação, avaliar o caráter, reconhecer as qualidades e os defeitos de um e de outro, para que após se opte pelo casamento ou não.

É comum falar que os casamentos de hoje estão fluídos, desinteressantes e invadidos pela rotina. Um grande engano, pois na verdade a rotina já se instalou no namoro. Muito mais do que mostrar o que anda faltando e esvaziando os relacionamentos de hoje, essa reflexão é um libelo para que se resgate a intimidade, a constante descoberta de si e do outro. Porque namoro é isso: desejo, surpresas, sementinhas que tão pouco cultivamos em favor de razão e resultado.

Agora depois desse desabafo podemos ir brincando com aquilo que realmente interessa num namoro: a alegria do encontro cada vez mais esvaziada, pois saudades não sentimos mais. Os celulares e os meios de localização nos dão o mapa do outro durante 24h e quando há encontro é apenas a continuação de tudo que já se sabia. Estou também falando de desejo que também anda escasso nos namoros, beijo na boca, essa delícia de intimidade, é uma etapa ultrapassada já que a vida sexual está liberada. Esquecem-se da mão na mão, boca na boca, vivências sensoriais que preenchem e recheiam qualquer relação.

Namorar a natureza, a vida, a si mesmo. Só quem tem essas capacidades é capaz de namorar na verdadeira acepção da palavra. A responsabilidade do namoro não é com o outro, mas consigo nessa época em que todas as emoções são fugazes. Perder a chance de namorar é igual rasgar dinheiro, perder um tesouro…

Entre a razão e a sensibilidade tempo de namorar deveria ser apenas tempo de sensibilizar.