Trabalho do funcionalismo fortalece o Estado Democrático de Direito | Boqnews

Ponto de vista

1 de maio de 2026

Trabalho do funcionalismo fortalece o Estado Democrático de Direito

ARTUR MARQUES

Neste Dia do Trabalho, 1º de maio, cabe enfatizar a atuação daqueles cujo verdadeiro e grande empregador é o povo brasileiro e que prestam relevantes serviços à sociedade: os servidores públicos, que, na União, Estados e municípios, dedicam-se incansavelmente em favor da saúde, educação, segurança, Justiça, previdência, fiscalização e numerosas atividades essenciais para toda a população.

A relevância da categoria está expressa no Anuário de Gestão de Pessoas no Serviço Público 2025, publicado pela República.org, que mostra um fator significativo, desconhecido por grande parte das pessoas: “A visão de que o serviço público brasileiro tem profissionais demais é uma concepção que nos impede de enxergar suas peculiaridades e desafios. A partir da Constituição de 1988, serviços como educação e saúde tornaram-se universais, sendo necessária maior quantidade de trabalhadores para prestá-los”.

De fato, cabe considerar que o SUS é o maior sistema de saúde pública do mundo e o Brasil, independentemente da necessidade de melhoria da qualidade, proporciona acesso total e gratuito da educação infantil até o último ano do ensino médio.

Raríssimos países, em especial os que têm grande população, garantem a universalidade nessas duas áreas prioritárias dos serviços prestados pelo Estado.

Não sem razão, os profissionais de ensino, saúde e serviços administrativos compõem 60% das ocupações no setor público, demonstra o anuário.

Na educação, há predominância de mulheres e se observa o crescimento da autodeclaração de docentes pardos.

No campo da saúde, o SUS é a principal via de acesso para 75,3% da população, evidenciando o peso da estrutura pública no atendimento médico-hospitalar, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

No ensino, a dependência do Estado é ainda maior, pois cerca de 80% das crianças e adolescentes estudam em escolas públicas.

Segundo a RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), nosso país tem 12,69 milhões de funcionários públicos, que representam 12,3% da população, conforme o PNADc (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua / 2024).

Uma questão importante para o reconhecimento da categoria por parte de quem paga seus salários por meio dos impostos, ou seja, a sociedade, é o apoio à contratação dos funcionários por concursos e à estabilidade.

O percentual, ao contrário do que muitos pensam e do que propagam fake news, situa-se abaixo de outros países, incluindo desenvolvidos. Na média da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), são 16,9%. Na França, 21% e nos Estados Unidos, 15%.

Uma questão importante para o reconhecimento da categoria por parte de quem paga seus salários por meio dos impostos, ou seja, a sociedade, é o apoio à contratação dos funcionários por concursos e à estabilidade.

Esses dois fatores, às vezes criticados levianamente, não são privilégios, pois atendem de modo direto aos interesses maiores da população, impedindo que, a cada troca de governo, questões partidárias e ideológicas interfiram nos serviços básicos. Além disso, contribuem para evitar o apadrinhamento político e admissões sem mérito técnico.

Imagine, caro leitor, uma situação em que uma professora de escola pública fosse demitida e substituída por outro profissional simplesmente para dar lugar a alguém que tivesse atuado como cabo eleitoral na campanha de um candidato.

Como ficariam seus alunos, o planejamento pedagógico do ano letivo e o aspecto ético? Pois bem, é justamente esse tipo de ocorrência absurda que é impedida pelo concurso de mérito para admissão e pela garantia da estabilidade.

O exemplo deixa claros os motivos pelos quais há políticos que seguem defendendo a flexibilização desses dois instrumentos constitucionais na União, Estados e municípios.

É a velha cultura do fisiologismo e do clientelismo, que ganha corpo em anos eleitorais, como este em que estamos vivendo.

Precisamos extirpar esses vícios no âmbito do permanente esforço para o aperfeiçoamento do Estado Democrático de Direito.

Essa é uma questão transversal ao Dia do Trabalho em nosso País, que merece profunda reflexão por parte de todos os brasileiros.

Artur Marques
Artur Marques, presidente da Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo (AFPESP).
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