Vida & Prazer
Marcia Atik

Psicóloga clínica e terapeuta sexual e de casal

Trago seu amor de volta

27 de outubro de 2014 - 08:19

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Perder algo sempre é complicado, se perdemos as chaves teremos um grande trabalho em chamar um chaveiro e muitas vezes trocar as fechaduras por segurança; perder documentos então, nem me fale nesses tempos de esperteza generalizada aliada a falta de caráter, um documento perdido ou roubado faz a alegria de um sem número de bandidos com muita criatividade para dar golpes, mas para tudo dá-se um jeito.

Mas perder um afeto, sentir-se abandonado ou mesmo rejeitado é uma perda que fere não só o coração que romanticamente ilustra essa ferida, mas mexe com o auto amor e traz muitas dúvidas que aos mais sensíveis ou fracos para ser mais direta, pode ser insuportável, pois provavelmente tinham sua vida toda avaliada a partir daquela relação .

Portanto a dor, pois a dor é de verdade, deve ser muito mais que a destruição de sonhos, mas sim o acordar para ser mais inteiro e que ao perder um afeto, um amor, perceba-se que algo que era intransferível ficou, ficou para dar forças e validar–se.

Toda essa reflexão por causa de um outdoor que eu vi dia desses, em que uma vidente se prontificava a trazer seu amor de volta, e se alguém anuncia essa possibilidade em letras garrafais é porque um mundo de gente acredita que amor amarrado ao pé da mesa continua sendo seu.

Nada nem ninguém nunca será suficiente para preencher as necessidades individuais, pois esse preenchimento não pode ser delegado a outro, cada vez mais devemos nos retro alimentar de nossas experiências, vivências e validá-las, pois como se dizia antigamente quando ninguém me leva vou sozinho, mas diferente do ditado popular no que diz respeito ao amor cada um deve buscar dentro de si suas razões para ser apaixonante e amado e essa viagem sempre se faz sozinho.