Vida & Prazer
Marcia Atik

Psicóloga clínica e terapeuta sexual e de casal

Transei! E agora?

Confira o novo artigo da psicóloga Marcia Atik

30 de novembro de 2016 - 08:12

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Excepcionalmente, utilizarei esse espaço para responder uma dúvida de leitora, pois traduz o que dezenas de garotas tem perguntado por meio do meu site e eu tenho respondido individualmente. Mas pelo enorme número de dúvidas a partir do mesmo tema, essas mensagens mostram o quanto as adolescentes ainda estão despreparadas para a vida sexual, embora exerçam sua sexualidade.

A questão da virgindade e da primeira relação sexual é essencialmente pessoal, só a pessoa pode saber o momento certo, aquele em que ele ou ela estará preparada para isso, pois não se trata apenas de um encontro sexual. É também uma atitude amplamente baseada em fatores familiares, culturais e sociais. Nesse sentido, cada um conhece seus valores e os de seu grupo.

É uma vivência que se não exercida com responsabilidade pode trazer consequências negativas, como gravidez inoportuna, doenças sexualmente transmissíveis e emocionais (culpa, medo e vergonha).
O exercício da sexualidade é um caminho de encontro com o outro e com maturidade afetiva e sexual. Quem dá o sinal é o corpo, diferentemente da prova de amor, que desde a era máxima do romantismo rasgado ainda tem espaço nos relacionamentos juvenis.

O que quero dizer é que não se deve ter uma relação sexual sem a certeza de que isso está acontecendo por uma escolha consciente de dar vazão ao seu próprio desejo sexual. Conhecendo a si e aos seus desejos, o encontro sexual pode acontecer a qualquer momento da vida.

Isso é verdadeiro para os homens e para as mulheres, pois diferentemente do que fomos levados a crer, na questão das possibilidades e desejos sexuais homens e mulheres são iguais.

Creio ser muito importante ressaltar que longe de fazer um discurso moral e coercitivo, escrever sobre esse tema vem muito mais como uma força maternal e educativa, pois nada é mais destrutivo do que se permitir ter a vida invadida por desconhecimento de si mesmo.

Isso porque, segundo pesquisas na área com adolescentes grávidas, ficou claro que todos os adolescentes – garotos e garotas – conhecem os métodos anticoncepcionais e na era pós AIDS conhecem também as regras do sexo seguro.

No entanto, as doenças sexualmente transmitidas — até a mais atual e assustadoramente crescente HPV, sem falar em gravidez precoce — ainda são recorrentes por absoluta falta de atitude. Não que não possam ter vida sexual, mas é importante que essa experiência tenha um sentido em sua vida, além dos cuidados necessários para uma primeira relação, onde a visita a um ginecologista seria indicada para tirar suas dúvidas e orientá-las melhor.