Ponto de vista
Trapalhadas no exterior
As chances da oposição vencer as eleições de outubro, capitaneada pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro, ungido pelo pai como seu herdeiro político, começam a perder fôlego a quatro meses das eleições. Sucessivas trapalhadas do candidato do partido liberal evitam que ele próprio consiga buscar votos fora da sua bolha política e ideológica.
Afinal, em uma disputa acirrada, qualquer passo em falso é determinante para a derrota. E, mesmo cambaleante, o presidente Lula, que mostrava sérias dificuldades e sucessivas derrotas impostas pelo Congresso, começa a sair das cordas e voltar à luta no ringue eleitoral.
Após o vazamento do pedido de Flávio por recursos para o filme Dark Horse, sobre a trajetória política do seu pai, Jair, ao banqueiro Daniel Vorcaro, às vésperas da sua prisão, sua popularidade sofreu um baque.
Atônita, a equipe do pré-candidato precisou mudar a rota e lançar luz sobre um novo tema. Conseguiu um encontro breve com o presidente americano Donald Trump e a garantia de considerar as facções criminosas como PCC e Comando Vermelho como terroristas, expondo uma chaga na sociedade brasileira que tem na segurança pública sua maior preocupação. Além disso, uma área onde o governo Lula pena em encontrar soluções para enfrentar este grave problema social, iniciado, aliás, no século passado, mas em franca ascensão pela incompetência das autoridades federais e estaduais que governam e governaram o País.
Com a medida, que vigora desde sexta (5), Flavio ganhou novamente os holofotes, mas não esperava que no pacote viessem também as cobranças extras de tarifas de produtos brasileiros, prejudicando os setores produtivos do País, justamente os que o apoiam.
Assim, se a ideia inicial era recuperar a popularidade, o clã Bolsonaro pode trazer mais problemas não só para a economia do País, mas também para a própria campanha. Não é à toa que as pesquisas mostram um distanciamento entre Lula e Flávio – os demais pré-candidatos da direita ainda estão distantes para ocupar este espaço, inclusive no segundo turno. Atualmente, nenhuma pesquisa coloca o senador à frente de Lula – ao contrário dos levantamentos antes do episódio Master.
Não bastasse, o escândalo do banco de Vorcaro voltará à baila, pois a Polícia Federal quer pedir o fim da quebra do sigilo do fundo que bancou a película em um emaranhado envolvendo a produtora e a prefeitura paulistana de Ricardo Nunes. Além disso, há também a aguardada delação do banqueiro. Aguardemos, portanto, as cenas dos próximos capítulos.