Ponto de vista
Uma “Rica” revelação
Uma das grandes revelações dessa Copa do Mundo é a seleção da Costa Rica. Não só pelo futebol simples e objetivo que aplicou em duas vitórias em três jogos, mas principalmente pela personalidade em minimizar o fato de se encontrar naquilo que a imprensa considerava como o “Grupo da Morte” deste Mundial.
Costa Rica estava predestinada a ser a lanterna do Grupo D. Com Uruguai, Inglaterra e Itália, ninguém estava preparado para ver o impossível – Costa Rica, além de terminar na liderança do Grupo, eliminou a Inglaterra e viu a Itália sucumbir na última rodada diante do Uruguai.
Desde o dia 6 de dezembro de 2013, quando foi feito o sorteio dos grupos da Copa 2014, os jornalistas costarriquenhos estavam realistas. Passagem e estadia compradas para, no máximo, três semanas. Agora, precisam estender a viagem. Bom para os costarriquenhos e a comissão, que vivem um momento histórico no futebol de seu país.
O melhor resultado da seleção da Concacaf foi no Mundial de 1990. Curiosamente, a Costa Rica estava no Grupo B, o mesmo onde estava a seleção brasileira, comandada na ocasião pelo técnico Sebastião Lazaroni. Os “Ticos” conquistaram o segundo lugar na primeira fase. Venceu a Escócia por 1 a 0, gol do versátil meia-atacante Juan Cayasso, e também bateu a Suécia por 2 a 1, com gols de Róger Flores (homônimo do ex-meia brasileiro, que atuou no Flamengo e no Fluminense) e Hernán Medford. No grupo, acabou perdendo apenas para a Seleção Canarinho, por um gol de Müller. Nas oitavas-de-final, acabou sendo goleado pela Tchecoslováquia por 4 a 1. E, assim, conseguiu estar entre as 12 melhores seleções naquela edição.
Agora nas oitavas novamente, a Costa Rica tem como adversária a Grécia, outra surpresa nesta Copa, mais pelo fato de ter conseguido a classificação nos minutos finais contra a Costa do Marfim do que pelo desempenho nos três jogos em si. Inclusive, só participou de duas edições em Copas (1994 e 2010) e nunca avançou à segunda fase da competição.
Voltando a falar da Costa Rica, diversos motivos podem ser elencados para explicar o sucesso da seleção do país da América Central. Veja alguns deles:
– Jorge Luis Pinto
Esse é o nome do técnico da seleção dos “Ticos”. É colombiano e tem 30 anos de carreira como treinador. Na Costa Rica, seu primeiro trabalho foi em 2002 com o Alajuelense, segundo time com mais títulos da liga nacional do País. Mas quem pensa que a primeira tentativa de ser treinador da seleção costarriquenha foi bem-sucedida, equivoca-se: ficou entre 2004 e 2005. Inclusive, como treinador da Colômbia, seu trabalho foi muito criticado na Copa América de 2007 e também em 2010, quando não conseguiu se classificar para o Mundial de 2010.
Mas impondo organização tática e conhecendo o perfil dos jogadores que convocou – em sua maioria, mais experientes, porém dando mais chance a nova geração do futebol nacional – ganhou confiança e mostrou ser uma grande adversária nas eliminatórias da Copa 2014. A classificação não foi à toa.
– Joel Campbell
Atacante do Arsenal (ING), emprestado para o Olimpiakos (Grécia), possui apenas 22 anos, porém esbanja ótimo preparo físico e velocidade, mostrando habilidade para as finalizações. Se antes da Copa o técnico tinha receio da ausência de Saborio, cortado por contusão, com Campbell a falta do outro destaque costarriquenho mal é sentida.
– Paulo Wanchope
O ídolo e ex-atacante da seleção da Costa Rica, que se aposentou em 2007, está há três anos como auxiliar técnico. A influência de Wanchope é tão positiva que a imprensa costarriquenha afirma que os atletas se aconselham mais com o ex-jogador do que com o próprio técnico.
– Estadia
Pode soar bairrista, mas a escolha de Santos como cidade para treinar foi um ponto que pode ter contribuído para o desempenho da seleção. Os mais fanáticos pelo Santos FC vão dizer que a sagrada Vila Belmiro inspirou ares do bom futebol. Mas, na verdade, outros ares são apontados como favoráveis. O jornalista costarriquenho da rádio Columbia, Josue Quesada, opina: “O clima de Santos é muito similar ao da Costa Rica, principalmente de San José [capital do País]. Vir para a Cidade foi bom, porque equilibrou. Eles jogaram no norte e no nordeste e digo: se para nós, jornalistas, foi difícil se adaptar, sem dúvida isso afetou para os europeus que jogaram também. E poderia ter afetado os costarriquenhos”, pontua.