Panorama Regional
Fernando De Maria

Vassoura e balde

A saída do governador Geraldo Alckmin do Palácio dos Bandeirantes para disputar a Presidência da República e o embate previsto entre o candidato do PSDB, João Doria, e o atual vice, Márcio França, do PSB, em destaque na coluna do jornalista Fernando De Maria.

31 de março de 2018 - 10:58

Compartilhe

Alckmin deixa o governo paulista e abre disputa entre PSDB e PSB. Foto: Divulgação

Após 23 anos, o ninho tucano paulista vai mudar de mãos. Claro que já ocorreram situações pontuais onde o cargo foi ocupado por aliados de primeira hora de outros partidos, como o vice-governador Cláudio Lembo (ex-PFL, atual PSD).

Este, aliás, ocupara o cargo entre março a dezembro de 2006 justamente para ocupar o cargo, após a renúncia de Geraldo Alckmin rumo à Presidência da República.

Candidatura, aliás, derrotada para o então presidente Lula, que tentava a reeleição, a despeito das denúncias do Mensalão – o pai do Petrolão.

Mesmo assim, a oposição dançou. E feio.

Naquela ocasião, Alckmin conseguiu um fato raro: perder votos. Foram 39,9 milhões no primeiro e 37,5 milhões no segundo turno. Já Lula chegou ao recorde: mais de 58,2 milhões de votos.

Hoje, a presença de Lula nas urnas é uma incógnita diante das condenações.

A tendência atual é que ele esteja fora da disputa, mas nos meandros jurídicos brasileiros tudo é possível.

Aliás, a confirmação deste cenário abre espaço para Alckmin.

Ele poderá ser o candidato com discurso de centro, sem os extremos de Jair Bolsonaro.

As pesquisas mostram que sua força política antagônica está diretamente relacionada à candidatura de Lula.

Sem ele no páreo, seu crescimento pode estar próximo ao limite.

Enfim, o governador paulista sabe que o sucesso de sua empreitada rumo ao Palácio do Planalto passa pelo seu próprio partido.

Aliás, agremiação afeita a rachas que provocam cisões e conflitos desnecessários, como a pífia tentativa do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, de entrar na disputa presidencial.

Outro exemplo ocorre em São Paulo, onde o governador pode ter dois palanques eleitorais com João Doria pelo PSDB e Márcio França, seu atual vice, pelo PSB.

Com um ímpeto impressionante, o prefeito paulistano – após tentativas frustadas de se tornar o candidato do partido à Presidência – resolveu voar um pouco mais baixo.

Assim, aceitou -“graças à militância” – disputar o Governo do Estado, após ser aclamado nas prévias na semana passada.

Aliás, situação incomum ao ninho dos tucanos.

Fogo amigo

Farpas não faltaram, inclusive do ex-presidente do partido, José Aníbal, candidato derrotado.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo em 19 de fevereiro passado, Aníbal declarou sobre a possibilidade de existirem dois palanques ao governador em São Paulo.

“A candidatura do PSDB não nos obriga a hostilizar o Márcio França. Pelo contrário. Márcio tem sido um leal companheiro do Alckmin”.

Tão logo foi escolhido como candidato do partido, Dória lançou os primeiros petardos ao vice-governador.

Por exemplo, acusando-o de fazer alianças com partidos de esquerda como PDT e PCdoB e dizendo-se que estaria do outro lado do espectro ideológico.

França rebateu o prefeito paulistano dizendo que ele não cumpre palavra.

Assim, o vice prepara mudanças nas respectivas pastas do Estado, substituindo secretários ligados ao PSDB e aliados tucanos por outros do PSB e partidos aliados.

Desta maneira, a vassoura e o balde já estão na área de serviço aguardando o ok.

Resta saber se o atrito entre França e Doria não atrapalhará o palanque duplo a Alckmin no maior estado da federação.