Estação X
Diego Corumba

Jornalista especializado em games

A verdade está lá fora

Informações chegam à casa dos milhares através de sites e Facebook. Como identificar o que é verdade, o que é rumor e o que mais se aproxima daquilo que precisa saber sobre determinado conteúdo cultural? Ao menos nos games, a resposta para esta pergunta é mais difícil do que parece...

04 de maio de 2017 - 10:08

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O mercado de games é uma bagunça. Desde o princípio de seu desenvolvimento até o instante que chega às lojas, os jogos sofrem pela ação de inúmeras pessoas, opiniões, notícias falsas e verdadeiras, antes de se adquirir qualquer jogo o consumidor se vê no meio de um turbilhão de informações totalmente não-organizadas. É impossível se comprar algo neste segmento hoje sem dúvidas ou sem ver que existem pontos diversos por toda a internet. E o que fazer?

Por exemplo, caro leitor, se você gosta ou tem a ideia de adquirir o PlayStation 4 (qual, por bem ou por mal, é o videogame mais vendido do mundo atualmente) e já tem até games em seu planejamento para comprar junto, como o faria com a última “notícia” do momento de que o PlayStation 5 será lançado em 2018? Para quem lê o título ou até mesmo o texto, é um acerto crítico no coração de qualquer jogador. “Desmistificando” a notícia, isso foi dito por um analista de mercado (sem relação com a Sony, que até o momento nem se pronunciou) em resposta ao anúncio da Microsoft de que seu próximo console chegará ao mercado ainda no final deste ano.

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O mais recente mito, o “PlayStation 5” tem até imagem no Google.

 Analisando bem, um analista de mercado, sem ligação alguma com a Sony Entertainment, decidiu que esse será o próximo passo da PlayStation e todos os sites de notícia, sem exceções, colocaram como o furo da semana. Desculpem a ironia, mas alguém avise a empresa fabricante que eles agora estão sob pressão de lançar logo no ano que vem (cinco anos após o lançamento do PlayStation 4, com jogos como God of War 4 e The Last of Us 2, além de Spider-Man e Final Fantasy VII Remake vindo para um console que será “substituído”). Em termos de mercado, seria desvantajoso para a empresa trabalhar em games e ideias para um aparelho que terá seu sucessor em breve. Em menos de um ano tivemos o lançamento do PS4 Pro, último investimento da empresa para uma forma avançada de se jogar videogame. Tudo isso contribui para que se possa criar um parâmetro embasado, sem as falácias e notícias que destoam do crível.

Porém, até você ver tudo isso, essa notícia já lhe arrebatou e é uma realidade para seus amigos, familiares e para toda a internet. E não somente neste aspecto. Jogos são criados por imagens em todo seu processo que acabam se tornando algo de sucesso ou não, dependendo de suas notícias e opiniões. Resident Evil VII, por exemplo, é um jogo dos mais bem-trabalhados lançados em 2017, que resgata uma série desgastada e fadada à queda. Se você abrir críticas e opiniões nos melhores sites, verá coisas boas e ruins dele. Enquanto lê a crítica boa, você chega ao final e se pergunta se aquela pilha de elogios não se resume a uma política de “boa amizade”. Escrever bem para a empresa enviar outros jogos futuramente. Quando lê as críticas ruins, se pergunta se não é um “hater”, alguém que gosta de falar mal do que quer que possua em mãos.

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A notícia que Final Fantasy VII seria separado em capítulos distanciou inúmeros jogadores. Os mesmos que jogaram ele no PlayStation em 3 CDs diferentes. 

Isto cria uma distância enorme entre os jogadores e os games. E não falo apenas de um, citei o Resident Evil como um exemplo, mas na verdade são todos. Sem exceção. Quer tirar a prova? Existe no Youtube uma gama gigantesca de vídeos de pessoas (90% sem preparo ou sem o menor senso de comunicação) falando destes games, com milhões de seguidores que acreditariam no que dizem. E isto é passado como uma bola de neve. Ainda nas críticas de sites e do próprio Youtube, vêm as opiniões de diversas pessoas sobre aquilo que elas vêem e isto também influencia. Particularmente falando, eu leio as opiniões quando vejo que tudo está “endeusando” qualquer game ou console para ver se ali acho algum hater com uma visão diferenciada do material. Ou se alguém tem um ponto positivo indo em direção contra toda a pilha de ódio típico da internet.

Quem está lendo pensa que o problema são apenas críticas, opiniões e sites de notícias que dão parâmetros falsos (sem falar dos click-baits de Facebook, ganchos de frases que chamam atenção e, quando abre o link não é nada daquilo que se esperava). Mas não são, caro leitor/cara leitora. Os próprios fabricantes dão tantas bolas foras quanto o mercado especializado. Vou citar um caso que presenciei. Mortal Kombat X estava anunciado para todas as plataformas, a nova geração (PS4, Xbox One e PC) e a antiga (PS3 e Xbox 360). Próximo ao seu lançamento, viram que o game não rodaria de forma adequada nos videogames antigos. Porém, a Netherealm Studios e a distribuidora Warner Bros não falaram absolutamente nada a respeito. O jogo saiu…e onde estão as peças da geração antiga?

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Mortal Kombat X estava planejado para ser lançado em todas as plataformas, mas, no final, ninguém viu as versões de PS3 e Xbox 360.

Tenho segurança em dizer que até hoje existem pessoas que procuram pelo game, baseado em notícias e Youtubers que falaram antigamente que o jogo sairia para todas as plataformas. Isto cria uma distância enorme do que é visto na rede da realidade que se encontra ao adquirir qualquer game. Falando da Electronic Arts, alguém citou que o FIFA 17, maior sucesso da empresa e um dos games mais vendidos de cada ano, não possui o modo “The Journey” para a geração anterior? Isto até foi anunciado, mas de forma tão tímida do quanto o modo era colocado em forte propaganda que qualquer vendedor se vê obrigado a dar a notícia a quem comprar, pois todos acreditam que todas as peças do game venham com este modo que foi um dos “carros-chefe” das altas vendas.

A palavra-chave seria “desinformação”? Não, sendo sincero…acredito que na internet tenha informação. Até demais. Este é o problema. Você abre sites confiáveis e ali há títulos duvidosos ou sem apontamento de “rumor” que deveriam ter ao menos. Lê críticas, opiniões, mas muitas sem fundamento ou que distorcem o tom real daquilo. E não só com jogos, quem gosta de cinemas ou livros sabe do que falo. Louvam ou destroem filmes/livros facilmente e, quando vai assistir/ler o material (até por curiosidade ou insistência) acaba se apaixonando por aquele conteúdo.

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O modo “The Journey” de FIFA 17 foi excluído das versões da geração antiga, porém a notícia corria de forma mais tímida que o marketing forte em cima da nova forma de jogar. 

 O próprio canal de comunicação da empresa fabricante ou produtora você vê ter menos informações do que necessita para adquirir, muitas vezes tendo de apelar a outros sites para saber um pouco mais daquele material. No Youtube, é difícil saber no que acreditar. Na época da E3, por exemplo, decidi dar uma chance ao mais famoso, “Zangado” e ele comentava os anúncios que as empresas faziam no maior evento de jogos eletrônicos do mundo. Porém, me deparei com opiniões distorcidas e sem o menor embasamento profissional. Em resumo, em alguns momentos ele não sabia do que estava falando. Fechei o vídeo e prossegui com a vida. Milhões assistiram, compartilharam e tomaram como uma realidade. “E agora?”.

Cada game que chega às prateleiras tem uma versão “demo” (demonstrativa, antes que pensem equivocadamente) que disponibiliza uma parte daquele jogo para analisar pessoalmente de sua casa. Outros entram em fase “beta”, antes do lançamento é comum alguns poderem ser baixados para testar. Assim, os consumidores têm uma forma de ver com seus olhos aquilo sem a necessidade de depender desta massa. Mas e quanto aos filmes? Você vê trailers, mas nada se compara. Livros? Resenhas recheadas de spoilers afasta até a quem se interessa.

IMAGEM 5

Quake Champions foi a última beta apresentada, exclusiva para PC, permitindo os jogadores conhecerem o game no último final de semana de forma gratuita. 

É um trabalho pesado estar ciente do que é real ou não, diferenciar coisas boas ou ruins e saber absorver o material disponibilizado na internet. Rumores se transformam em realidade, notícias são compartilhadas na velocidade da luz, informações não-conclusivas vindo das próprias fabricantes e tudo isso tendo de ser analisado friamente. Você se pergunta “Será que ele está falando para não confiar no que leio?”. Na verdade, digo o contrário. Leia e confie…mas não tome como verdade absoluta. A “verdade” sempre tem mais de um lado (como um professor da faculdade de Jornalismo insistiu em ensinar na sala de aula). Viu a informação em um site? Procure em outros. Quantos forem necessários. Veja tudo que puder. Analise opiniões, crie parâmetros, procure conhecer mais sobre determinado ponto e, assim alcançar um ponto de equilíbrio.

Para mais informações, dicas e sugestões, envie para colunaestacaox@outlook.com ou adicione nas redes:

  • PSN: CorumbaDS

  • Xbox Live: PlumpDiegoDS

  • Nintendo Network: DarXtriker