Opiniões

17 DE AGOSTO DE 2021

Vez ao etanol brasileiro

Por: Humberto Challoub

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Apesar de ter como objetivo primeiro a redução do preço do produto, a Medida Provisória (MP) encaminhada pelo Governo ao Congresso, autorizando a venda de etanol por produtores ou importadores diretamente aos postos de abastecimento, representa um incentivo para ampliar o consumo desse combustível no País e, por consequência, uma importante contribuição para reduzir a emissão de gases tóxicos na atmosfera produzidos pelos derivados fósseis.

O “alerta vermelho” feito pela ONU para os riscos ambientais oferecidos pelo atual modelo de geração de energia confirma mais uma vez o que há muito já se sabe: a indústria petrolífera, inclusive a brasileira, é uma base energética condenada por ser uma das principais responsáveis pela degeneração progressiva do planeta, por meio da emissão dos gases que ajudam a ampliar os danos provocados pelo efeito estufa. Desconsideradas as retóricas ufanistas que, invariavelmente, têm permeado os debates sobre a questão, a tecnologia nacional para a produção de álcool combustível derivado da cana-de-açucar é reconhecidamente promissora por ser sustentável e relevante para transição para uma economia de baixo carbono.

Sem dúvida, o modelo brasileiro pode colaborar com o desafio de formação de uma nova ordem ecológica mundial, possibilitando unir países industrializados e em desenvolvimento na construção de uma estrutura capaz de trazer melhorias ao meio ambiente e, ao mesmo tempo, gerar oportunidades de trabalho às populações mais vulneráveis.

Mais do que representar um simples ato de benevolência, a promoção de ações visando assegurar melhores condições de vida às comunidades pobres, em todo o mundo, representa uma necessidade premente, não só pelo cumprimento dos direitos fundamentais à dignidade humana, mas sobretudo pela necessidade de interromper a degradação do planeta motivada pela ocupação urbana desordenada. Marginalizados dos processos de geração de renda, grandes contingentes populacionais contribuem involuntariamente para a degeneração de bens naturais universais.

O atual modelo energético adotado pela maioria dos países, especialmente os mais ricos, terão que ser revistos nas próximas décadas e o etanol brasileiro pode representar uma opção viável de substituição à gasolina. Torna-se urgente o estabelecimento de um novo paradigma para o setor, com o entendimento de que os esforços para a recuperação ambiental do planeta devem ser compartilhados afim de evitar as consequências danosas prenunciadas.

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