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Vinicius Carlos Vieira

Saiu da faculdade de jornalismo e descobriu que não sabia fazer mais nada a não ser escrever sobre cinema. Resolveu virar crítico. Hoje, é editor e crítico do site Cinema Aqui (@cinemaqui), além de ser produtor do Nerd Cine Fest. No twitter pode ser encontrada no @vinicvieira

A Vigilante do Amanhã: Ghost in The Shell

Adaptação na animação cult prefere ocidentalizar história. Confira a crítica.

06 de abril de 2017 - 12:32

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bannerEm 1993 Ghost in The Shell se tornou um cult instantâneo, uma experiência visual e profunda que discutia uma série de conceitos filosóficos e serviu de inspiração para uma geração inteira de filmes (vide Matrix). Hoje, A Vigilante do Amanhã: Ghost in The Shell tem a tarefa complicada que transformar o desenho em algo de carne e osso (e pixels, lógico!), e para isso funcionar, toma um caminho que muita gente irá torcer o nariz.

O filme dirigido por Rupert Sanders (“Branca de Neve e o Caçador”) encontra então uma solução bem corajosa: toma um outro caminho. Na verdade, pega tudo que é de mais marcante em termos visuais, todas aquelas cenas clássicas e as recoloca quase que em uma história diferente. E isso funciona, com uma trama interessante, bem costurada, com personagens bem construídos e novidades que buscam até entregar um filme até mais cativante. Mas, infelizmente, só não vai mais longe, pois prefere ignorar a sua origem.

A Vigilante do Amanhã acaba sendo até mais divertido que o original, tem mais ação e encaixa bem as cenas clássicas em uma trama que lida melhor com uma necessidade mais global. Em outras palavras, Sanders “ocidentaliza” o filme e foge da profundidade existêncial discutida pelos personagens da animação de 1993. Não que ela não esteja lá, ela está, mas de modo muito mais simplista e superficial.

Em contrapartida, Sanders entrega um filme lindíssimo, com um design de produção que já o coloca na lista de todas premiações técnicas do ano que vem. Essa nova cidade futurista é incrível, e cada lugar visitado pela protagonista Major (Scarlett Johansson) e se parceiro, Batou (Pilou AsbæK) parece ter uma história própria e uma personalidade que toma a tela de assalto.

a-vigilante-do-amanhã-destaqueDo mesmo jeito, com o mesmo esmero, Sanders replica aqueles momentos clássicos com uma exatidão que levará os fãs à loucura. E isso, obviamente, acompanhado de um CGI (“Computer Generated Images”) que mostra o que de melhor a indústria tem nos dias atuais.

Mas voltando ao assunto, Vigilante do Amanhã só não voa mais alto por preferir abraçar a mediocridade de um cinema ocidental que prefere tudo mastigado. Nele, a ciborgue Major parte em busca de uma hacker, Kuze (Michael Pitt, única boa atuação do filme, com o resto tudo no piloto automático), que começa uma série de assassinatos misteriosos que podem levar a própria personagem a entender mais de seu passado. Nada de muito novo em termos de estrutura.

De qualquer jeito, o visual incrível e a homenagem à animação original, ainda que costurada em meio a uma história muito menos impressionante e intelectualmente interessante, fazem valer o ingresso do cinema em A Vigilante do Amanhã: Ghost in The Shell. Portanto, aceite a mudança e divirta-se.

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