Ponto de vista
Vitória do voto paliativo
Humberto Challoub
Reeleito para continuar dirigindo os destinos do País nos próximos quatro anos, o presidente Lula terá pela frente importantes desafios, especialmente para cumprir as metas econômicas e sociais prometidas durante a campanha eleitoral, realizando um profundo ajuste fiscal para reduzir despesas frívolas e assim garantir o equilíbrio das contas públicas.
Isso porque, para tanto, terá que estabelecer uma relação direta com um Congresso Nacional, que será composto por uma maioria oposicionista a partir do próximo ano.
E a tarefa, pelo que se prenuncia, não será fácil, tendo em vista o elevado grau de polarização política que marcou o pleito desse ano e que deverá permanecer ainda por um bom tempo.
Pelo que se viu, mais uma vez os vitoriosos foram os que, à vista do eleitorado, despertaram o menor sentimento de rejeição e repulsa. Isso, convenhamos, é muito pouco para nossa democracia, que se viu novamente ameaçada por fantasmas do autoritarismo e a falta de isonomia, no âmbito do judiciário e da imprensa.
Ficou igualmente evidenciada as consequências danosas resultantes das repetidas intromissões patrocinadas pelos membros da Suprema Corte, que motivaram controvérsias e realçaram a desconfiança da sociedade sobre a imparcialidade e lisura do processo eleitoral.
Mais do que nunca o País necessita de um ambiente de paz para solucionar os graves problemas que afetam a população, consagrado por decisões justas e isonômicas condizentes com o estado democrático que todos desejamos preservar.
Da mesma forma, o comportamento adotado por jornalistas e veículos de comunicação na cobertura de fatos políticos e dos movimentos decorrentes do período eleitoral também faz por merecer uma avaliação criteriosa por parte da sociedade.
Demonstrando preferências ideológicas, partidárias e interesses econômicos, a imprensa teve seu trabalho questionado e a credibilidade abalada como resultado do abandono aos fundamentos básicos dessa atividade profissional, como a checagem das informações, o aprofundamento e a contextualização dos fatos narrados, a concessão de espaço igualitário ao contraditório e, sobretudo, a produção de notícias falsas travestidas como verdade.
Reconhecer a aprender com os erros cometidos permitirá aperfeiçoar nosso sistema político-eleitoral, garantindo que pleitos futuros ocorram de forma serena e civilizada, com o entendimento de que a verdadeira democracia não abriga inimigos nem donos da verdade, mas apenas ideários divergentes e diferentes formas de se atingir os mesmos objetivos.
Portanto, mais do que nunca o País necessita de um ambiente de paz para solucionar os graves problemas que afetam a população, consagrado por decisões justas e isonômicas condizentes com o estado democrático que todos desejamos preservar.