Editorial
Humberto Challoub

Jornalista e Diretor de Redação do Jornal Boqnews. Diretor da Faculdade de Artes e Comunicação da Unisanta

Vocação confirmada

Dedicar atenção ao campo é, no atual momento, mais do que um mero ato de benevolência governamental, mas uma prioridade estratégica para o País

30 de junho de 2020 - 16:25

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Contrariando a tendência de queda do Produto Interno Bruto do (PIB) prevista para esse ano, em razão dos efeitos danosos produzidos na economia mundial pela pandemia, o agronegócio brasileiro continua a dar mostras de vitalidade ao apurar um crecimento de 3,3% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2019. Mais do que nunca, confirma-se a vocação do setor para se transformar no principal segmento da economia nacional, uma vez que já representa quase um quarto de toda a riqueza produzida no País.

Ao longo das últimas décadas, o Brasil acumulou avanços no uso de novos métodos de plantio, no desenvolvimento da pesquisa, utilização de equipamentos e tecnologias sofisticadas, que resultaram na ampliação da capacidade produtiva e no reconhecimento da capacidade brasileira em atender as demandas internacionais por alimentos. Por certo, o mundo pós-pandemia estará aberto às muitas oportunidades e irá exigir novos sistemas de integração comercial entre as nações, alicerçados na ideia de que, ao invés de distribuir prejuízos em prol de poucos como resultado da especulação financeira, serão as riquezas produzidas pelo trabalho que devem ser compartilhadas em benefício de todos, especialmente nas localidades que ainda convivem com a pobreza extrema.

Por esssa razão, dedicar atenção ao campo é, no atual momento, mais do que um mero ato de benevolência governamental, mas uma prioridade estratégica para o País, especialmente quando se sabe que a produção mundial de alimentos, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), precisarão aumentar 70% até 2050 para poder suprir a contento as necessidades crescentes resultantes das expansões populacionais.

Nesse sentido, torna-se urgente a necessidade de corrigir equívocos cometidos no passado, especialmente com a implementação de uma infraestrutura capaz de assegurar a criação e manutenção de cadeias produtivas e de atendimento social, que incluam, além dos insumos logísticos, a percepção de transformação social do campo, com uma política fundiária que permita fixar as famílias em ambientes dignos e prósperos, com a oferta de escolas, postos de saúde e demais serviços essenciais.

Incentivar a expansão das atividades ligadas ao agronégocio, a partir do entendimento de que é preciso agregar valor aos produtos brasileiros, representa uma iniciativa acertada, que poderá elevar o Brasil à condição de maior e mais importante produtor de alimentos do mundo, gerando os recursos que o País precisa para beneficiar o conjunto da população.